Em entrevista nesta quarta-feira (11) no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou como um "incidente" o blecaute ocorrido na noite de ontem. Ele, porém, confidenciou que o problema acabou com sua noite de sono. Contou que passou a madrugada em conversas por telefone com técnicos e ministros para saber detalhes da queda das linhas de transmissão de energia. Na mesma entrevista, Lula disse e repetiu que o problema era técnico e não um problema de falta de energia como ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Lula, que recebia o presidente de Israel, Shimon Peres, não escondeu um certo abatimento.
Nesta terça, numa solenidade do PAC da Habitação, no mesmo prédio do Itamaraty, Lula esbanjava bom humor e descontração, chegando a brincar com a plateia formada por prefeitos e governadores. Nesta terça, ele chegou a fazer um apelo para que a imprensa não criasse "teses" e desse a informação "correta" sobre o que gerou o blecaute. Desde 2003, Lula cita o período de racionamento de energia da Era FHC, chamado de "apagão", para atacar os tucanos. No poder, Lula fez 55 discursos para comentar o "apagão" no governo anterior, sendo seis apenas neste ano. Durante a disputa pela reeleição, em 2006, ele bateu seu próprio recorde de discursos sobre o tema. Naquele ano, ele citou a palavra "apagão" em 15 discursos. O primeiro discurso de Lula sobre o "apagão" ocorreu em junho de 2003, numa visita a Parintins, cidade da beira do Solimões, no Amazonas. Depois de receber um abaixo assinado de moradores pedindo luz elétrica em uma parte da cidade, o presidente comentou: "Quero olhar na cara de vocês e dizer: quando terminar este Festival de Parintins, não terão mais apagão". "Vocês poderão namorar no claro."
Aos poucos, os discursos de Lula sobre o "apagão" começaram a ficar mais duros. O presidente deixou de lado o bom humor e passou a fazer críticas à "falta de investimentos" no setor energético durante o governo tucano. A última vez foi no dia 30 de outubro em um encontro nacional de empresários da construção civil, no Rio de Janeiro. "O planejamento público na área de infraestrutura estava abandonado em nosso País há mais de 30 anos", disse. "E a economia pagou um preço alto por esse equívoco estratégico, como ficou evidente no apagão de 2000 e 2001."
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