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Entrevista – Rafael Moreira

Guitarrista paranaense é sensação nos Estados Unidos

Rafael Moreira já tocou ao lado de estrelas do rock e do pop e é considerado por muitos músicos como um dos melhores guitarristas do mundo

  • Marcus Ayres, da Gazeta Maringá
Depois de estudar no conceituado GIT, em Los Angeles, Moreira cenceu um teste para atuar como guitarrista da musa pop Cristina Aguilera |
Depois de estudar no conceituado GIT, em Los Angeles, Moreira cenceu um teste para atuar como guitarrista da musa pop Cristina Aguilera
 
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Guitarrista paranaense é sensação nos Estados Unidos

Poder viajar por vários países fazendo música; participar de programas de grande sucesso na televisão mundial. Se apresentar para milhares de pessoas ao lado de estrelas do rock e do pop. O que não passa de sonho para muitas pessoas faz parte da rotina vivida pelo músico Rafael Moreira. Este paranaense de Cambará se tornou sensação na internet, sendo elogiado por muitos músicos renomados, incluindo Dave Navarro, guitarrista do Jane’s Addiction e ex-Red Hot Chilli Peppers. “Rafael Moreira é um dos maiores guitarristas do mundo”, disse.

Currículo para isso ele tem. O brasileiro já tocou ao lado de artistas do gabarito de Steve Wonder, Steven Tyler (do Aerosmith), Paul Stanley (do Kiss), Tommy Lee (do Motley Crue) e Pink, com quem inclusive gravou um CD e um DVD.

Para chegar a este nível, Moreira teve que “ralar” muito. Na adolescência, viveu em Curitiba, onde participou de várias bandas. Se mudou para Los Angeles, onde estudou no conceituado Guitar Institute of Technology (GIT). Participou de um teste com outras centenas de músicos e acabou sendo escolhido para atuar como guitarrista da musa pop Cristina Aguilera.

Ganhou notoriedade ao participar das duas edições do programa Rockstar, onde foram escolhidos vocalistas das bandas INXS e Supernova. Depois do reality show foi convidado para excursionar com Paul Stanley e outros artistas, além de ter sido capa da revista Guitar Player, uma das maiores publicações voltadas para músicos. Em meio ao sucesso, o paranaense voltou suas atenções para a sua banda, Magnético. O trio de rock lançou o primeiro álbum ("Songs About The World") há dois anos. Em entrevista para a Gazeta Maringá, ele falou sobre seus planos e a saudade que tem da terra natal.

Gazeta Maringá: Como foram seus primeiros contatos com a música? Rafael Moreira: Eu comecei a cantar com dois anos, aos quatro eu fazia parte do coral da minha mãe, que é pianista e aos seis eu comecei a tocar guitarra. - Na sua adolescência em Curitiba, você chegou a ser despedido de uma banda. Como foi esta história?

Eu tinha 16 anos de idade, tinha minha própria banda de rock chamada Icarús e já estava tocando na noite. Esses caras tinham uma outra banda de covers de pop chamada Bethovens e me chamaram pra tocar com eles. Eu gostava de rock e não queria respeitar o sonzinho mela cueca; queria meter a mão.

- Existe um ressentimento com eles ?

Se eu fosse eles, também teria me despedido. Mas pra começar, não teria me chamado pra tocar na banda. De qualquer forma, eles eram bons no que faziam e eu gosto desses caras, nada contra.

- O que o motivou a buscar o “sonho americano”?

Eu queria mais, não conseguia me enquadrar na mentalidade quadrada de alguns "clicks" que existiam na época.

- Além do seu talento, acha que teve sorte?

Talento e muito trabalho foi o único meio.

- Você estudou Música na GIT. Como foi a experiência?

Foi ótimo, alem de me formar, eu ganhei bolsas de estudo, uma competição de guitarra e composição chamada "GIT Masters". Aprendi muito e fiz vários amigos. Logo depois toquei com a Christina Aguilera, foi um sentimento de conquista.

- Durante todos esses anos de carreira, teve alguma passagem curiosa com algum famoso?

Teve muitas, quando eu estava na escola, um amigo americano me chamou pra trabalhar com ele, estacionando carros em Malibu. Como só estava estudando e não tinha mais nada pra fazer, eu fui. O primeiro carro que eu estacionei foi do Ringo Star, dos Beatles. Eu fiquei impressionado e ele me deu uma gorjeta de 10 dólares. Eu falei pra ele "Hey man, i love you" e ele me respondeu: "I love you too".

- Você já participou de um alguns programas na tevê. No Brasil, reality shows de música têm um sucesso repentino, mas sem a mesma repercussão que existe nos Estados Unidos. Cantores de programas como Ídolos, Fama e Popstar acabam sendo esquecidos rapidamente pelo grande público. Por que você acha que isso acontece por aqui?

Eu não assisto a reality shows, só assistia para melhorar as minhas performances nos shows que eu fazia aqui nos Estados Unidos. Mas eu acho que a memória das pessoas é curta, então se não existe uma forma de continuar a promover essas pessoas depois do show, isso tudo acaba. Por aqui depois que o programa termina, rola turnê, contrato com a gravadora, vídeos, enfim, eles continuam a promover os artistas.

- Se você tivesse ficado no Brasil, acha que teria feito sucesso com a música?

Não sei, não fiquei.

- O que você acha da atual música brasileira? Acredita que exista uma crise de qualidade?

Eu não tenho muito conhecimento dela. A única coisa que eu sei é que existe uma febre de musica sertaneja.

- E o que acha disso?

Nada contra, tenho certeza que deve existir alguma musica sertaneja boa em algum lugar, bem escondida. Mas a minha opinião é a seguinte, o Brasil é o pais do ritmo e da melodia, então nada impede que nós artistas continuemos a criar musica boa para o povo.

- Você acha que a mídia influencia muito no que as pessoas escutam hoje?

As grandes empresas da mídia continuam a alimentar o público com musica ruim e o povo aceita e cresce burro, sem gosto, sem opinião. É a mesma coisa com a política. Se você tem conhecimento dos seus direitos e os políticos tentam tirar isso de você, as pessoas se organizam e não deixam isso acontecer. Você é livre para escutar a música que quer, especialmente hoje em dia com a internet.

- Por falar na internet, as novas tecnologias modificaram o mercado fonográfico. Muitos artistas estão disponibilizando seus álbuns de forma on-line até antes do lançamento oficial. Já outros criticam duramente a propagação de arquivos de MP3. Jon Bon Jovi chegou a acusar Steve Jobs e a Apple de serem os responsáveis por matar a indústria musical. Qual sua posição sobre este tema?

- Eu acredito em evolução, mas eu também sinto falta de quando comprávamos os discos naquela época e víamos as fotos, os créditos e tal. Mas hoje em dia, você não precisa gastar material, tudo é mais saudável. Não existe "tocar" em algum tipo de material, pois é tudo invisível, você só escuta. CD é coisa do passado, inclusive, estou pensando em não imprimir CD's no meu próximo lançamento. O pessoal faz o download e escuta no seu music player.

- Quais são suas maiores influências musicais?

O antigo rock inglês dos anos 60 e 70; metal e pop dos anos 80 e 90; muita musica brasileira como Jobim, Djavan, Gil, Caetano, Elis, Hermeto; jazz. blues do anos 50; musica do oriente medio, entre outras.

- Como é o seu processo de composição?

Depende do propósito. Na maioria das vezes, começo tocando algo na guitarra e cantar em cima. Depois disso eu tento identificar o que poderia ser os versos, o refrão, talvez o pré-refrão. Daí penso na letra. Mas têm muitas possibilidades nessa área. Escrevi a letra de "The Emperor" no avião, quando estava indo tocar na Islândia.

- E no que você se baseia para escrever?

Geralmente [a letra] nasce de alguma experiência que eu vivi; ou posso relatar a vida de alguém.

- Além da guitarra, que outros instrumentos você toca?

Baixo, Bateria, Piano, Cavaquinho, Ukulele, Percussão, entre outros.

- Você costuma visitar muito o Brasil? O que sente falta daqui?

Eu costumo sim, eu estava no Brasil em setembro e outubro fazendo meus shows. O que mais sinto falta é da família, das pessoas, da língua, da comida, enfim quase tudo.

- Você acha que a visão do norte-americano com relação ao Brasil está mudando? De que forma?

O Brasil ainda ter muito o que melhorar na parte de infra-estrutura, educação e planejamento. Apesar disso, acredito que o governo brasileiro fez um bom trabalho de venda da nossa imagem no exterior

- Quais são seus planos?

Um disco novo para o começo de 2012, viver o meu momento e sempre tentar melhorar.

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