
Um habeas-corpus concedido pelo Tribunal de Justiça(TJ) do Paraná nesta quinta-feira (9) garantiu a liberdade ao padre Adelino Gonçalves. Ele estava preso desde o dia 17 de abril passado em Cruzeiro do Oeste, após ser condenado pelo tribunal do júri a 18 anos e nove meses de prisão no processo em que é réu acusado de ser o mandante do duplo homicídio que aconteceu em Mariluz em 2001. Na época, o padre era também o prefeito da cidade e foram mortos a tiros o vice-prefeito Aires Domingues e o presidente do Diretório Municipal do PPS, Carlos Alberto de Carvalho.
O advogado Cláudio Dalledone, que faz a defesa do padre desde o início do processo, mas não atuou no júri popular em que houve a condenação, disse nesta sexta-feira (10) que já existe um recurso em andamento no TJ pedindo a anulação do júri realizado em abril em Cruzeiro do Oeste. Ele alega que não há provas nos autos suficientes para a condenação. "De acordo com as provas existentes no processo, quem deveria pagar pelo crime já foi condenado".
Dalledone refere-se à investigação que apontou o ex-policial militar José Lucas Mendes como o responsável pelos tiros que mataram os dois políticos. Em juízo, Mendes inocentou o padre de envolvimento e confessou a autoria. Ele morreu na cadeia em Campo Mourão antes de ser levado a julgamento. Os dois acusados de intermediar a contratação do pistoleiro, Élcio Farias foi condenado a 10 anos de prisão e Alexandro Nascimento acabou absolvido, mas foi encontrado morto em Campo Mourão.
Apesar de o habeas-corpus ter saído na quinta-feira à tarde, o padre só deixou à prisão nesta sexta-feira por volta das 17 horas. Ele está licenciado do sacerdócio para tratamento de saúde (depressão) e reside em Guarapuava.



