
Em visita às delegacias de Sarandi e de Maringá, o Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol) identificou problemas como superlotação da carceragem e desvio de função dos policiais. A vistoria, que foi realizada na manhã desta quinta-feira (14), seguirá sendo feita em outras cadeias do estado. O trabalho foi anunciado depois da série de fugas que atingiu o Paraná no início do ano.
A situação mais grave é a de Sarandi, que tem capacidade para 114 presos, recebe 180. De acordo com o presidente do Sinclapol, André Gutierrez, há apenas 11 policiais de carreira trabalhando na delegacia nenhum com colete a prova de balas. "Se fizermos uma proporção, vamos ver que há 18 presos para cada policial. É impossível fazer um bom trabalho assim."
Ele diz ainda que, com tantos presos para cuidar, os policiais civis acabam deixando as investigações de lado, o que caracteriza desvio de função. "Nossa função é investigar e solucionar crimes, mas hoje estamos simplesmente cuidando de presos. Com isso, há menos investigação e menos crimes solucionados."
A cadeia de Maringá, que tem capacidade para abrigar 120 presos, não está superlotada, mas opera no limite. "A Polícia Civil só deve ficar com os presos enquanto isso for de interesse da investigação. Depois eles devem seguir para o sistema penitenciário, mas isso não acontece", criticou.
Gutierrez disse que Maringá há defasagem apenas no número de escrivães, mas que, em âmbito estadual, há uma carência de quase dois mil policiais civis. Segundo ele, há hoje 3,4 mil profissionais atuando no Paraná, enquanto o número necessário seria 6,2 mil.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), para que esta se pronunciasse sobre o tema, mas ainda não obteve retorno.
Fuga em Cianorte
Três presos fugiram na madrugada desta quinta-feira (14) da cadeia de Cianorte, a 80 quilômetros de Maringá. Os três eram maiores de idade e estavam detidos sob a acusação de furto. Eles estavam em uma cela cuja parede dos fundos dava para um terreno baldio. Os homens quebraram a parede e escaparam.
A parede não era reforçada e não havia câmeras de segurança no local. Segundo o superintendente da Polícia Civil na cidade, Hamilton Ravedutti, a última fuga na cadeia aconteceu há um ano e quatro meses. Por conta do incidente, Gutierrez informa que a próxima vistoria do Sinclapol será feita justamente na cadeia de Cianorte.
Onda de fugas
Na passagem de ano foram registradas fugas em Ivaiporã, Goiorê, Ibiporã, Peabiru, Maringá e Ponta Grossa. De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), 68 detentos escaparam.
A maior ação aconteceu em Ivaiporã (140 km de Maringá), onde, logo após a virada de ano, 27 detentos abriram um buraco na parede da cadeia e escaparam. No pátio, eles escalaram um muro que dá acesso à rua. Apenas um policial estava de plantão. A cadeia tem capacidade para 34 detentos, mas abrigava 144 quatro vezes acima da capacidade. Dois internos foram recapturados.






