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Mau rendimento escolar pode indicar problema de saúde

  • Cecilia Valenza
 
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Elas muitas vezes são o tormento dos professores. Algumas não param quietas, não se concentram, não prestam atenção na aula; outras parecem viver no mundo da lua, não fazem as lições de casa ou não acompanham o conteúdo como os demais colegas. Crianças que muitas vezes acabam reduzidas a rótulos como “preguiçosas”, “bagunceiras” e “desobedientes”, na verdade, podem esconder algo mais complexo do que isso: um problema de saúde. Embora muitas vezes passem despercebidas por pais e professores, são inúmeras as doenças e transtornos que podem influenciar na aprendizagem e no rendimento escolar.

De acordo com a psicopedagoga Laura Monte Serrat, da Síntese – Centro de Estudos, Aperfeiçoamento e Desenvolvimento da Aprendizagem, é importante que os pais observem o comportamento da criança desde cedo. Em muitos casos, alguns sinais e sintomas são a pista de que algo está errado. As conseqüências de um problema não diagnosticado – e, portanto, não tratado adequadamente – podem interferir no desenvolvimento da criança e prejudicar seriamente seu rendimento na escola.

Visão

Um dos problemas mais comuns encontrados nas salas de aula são as alterações na visão. Embora sejam, em muitos casos, diagnosticadas apenas em idade escolar, a maioria delas pode ser identificada logo após o nascimento. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 16,5 milhões de brasileiros, ou quase 10% da população, sofrem de algum tipo de deficiência visual. Estima-se que, desse total, 20% a 30% sejam crianças.

Quando não enxerga direito, o aluno se desinteressa e pode ser confundido como hiperativo, desatento ou simplesmente indisciplinado. Segundo o oftalmologista Otávio Bisneto, do Hospital de Olhos, é importante reparar se a criança franze os olhos e a testa com freqüência; se coça os olhos; se fica cansada ao ler ou escrever; ou se tem dores de cabeça.

A estudante Mariana Moscalewsky, 11 anos, começou a usar óculos aos 3 para corrigir astigmatismo e hipermetropia. O problema foi percebido pelos pais devido às constantes queixas da garota sobre dores de cabeça. A mãe da menina, Beatriz Teixeira de Freitas, conta que a adaptação foi fácil. “Ela percebeu rápido que a vida dela era melhor com os óculos”, diz. Hoje, na 6.ª série, a menina já pensa em começar a usar lentes de contato. “Não há problemas no uso de lentes em crianças, até mesmo bebês podem usar. O importante é a identificação precoce do problema”, esclarece Bisneto.

Audição

Além dos problemas de visão, as alterações na audição também são bastante freqüentes. Entretanto, não são apenas as crianças com alguma perda auditiva que podem apresentar dificuldades. Os irmãos Diego, 12 anos, e Hygor, 9 anos, levaram anos e passaram por quatro especialistas diferentes até descobrir que a causa das dificuldades na escola era um problema chamado processamento auditivo. A mãe dos garotos, Marilei Oliveira, lembra que Diego só começou a falar com três anos. “Eu o levei a uma fonoaudióloga, mas ela me disse que não era nada, que a audição dele ela normal e que ele era apenas envergonhado”, lembra. Entretanto, com o início da vida escolar, os problemas continuaram. Marilei conta que os professores reclamavam da falta de atenção e concentração do garoto. “Os dois eram assim, mesmo em casa eu chamava e eles nem respondiam. O Diego chegou a ser separado dos outros colegas na escola por conta da dificuldade”, conta.

De acordo com a fonoaudióloga Beatrice Doff Sotta, do Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia, a criança que sofre com o processamento auditivo tem a audição normal; o problema está na maneira como ela lida e compreende os sons. A deficiência ocorre na chamada audição central. Toda a captação do som pelo ouvido é normal, mas há uma falha na conexão com o cérebro. Além de pedir a repetição do que foi dito, a criança geralmente confunde palavras parecidas, tem dificuldades de memória e atenção, fica incomodada em ambientes ruidosos, não consegue soletrar palavras e freqüentemente não responde quando questionada. “Em alguns casos ela não consegue perceber a entonação de pergunta”, exemplifica a fonoaudióloga. O problema costuma afetar crianças prematuras ou que sofreram constantemente com otites quando pequenas.

Dislexia

A dislexia é outro problema bastante freqüente nas salas de aula. Estima-se que 15% da população mundial seja disléxica. Crianças com esse tipo de alteração geralmente apresentam dificuldades de leitura e para soletrar e identificar letras. Isso ocorre porque o cérebro dos disléxicos funciona de maneira diferente das outras pessoas. No processo de leitura, eles recorrem somente à área cerebral que processa fonemas. Por conseqüência, surge a dificuldade em diferenciar fonemas de sílabas, já que a região cerebral responsável pela análise de palavras permanece inativa.

Tratamento

Embora sejam bastante freqüentes, os especialistas são unânimes em ressaltar que todos esses problemas têm tratamento e devem ser diagnosticados o mais cedo possível, de preferência antes do início da vida escolar. Para isso, é fundamental que pais e professores fiquem atentos a qualquer sinal que indique alguma anormalidade. “Percebemos que muitas crianças são encaminhadas pelas escolas apenas no fim do ano, quando o desempenho já está comprometido. Muitas vezes o mau rendimento é visto como passageiro, como um problema de adaptação com o professor ou com a turma, e na verdade ele pode esconder um problema mais grave. É fundamental que qualquer dificuldade seja investigada e diagnosticada o quanto antes”, alerta a neuropediatra do Hospital das Clínicas da UFPR Ana Chrystina Cripa.

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