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Pernambuco

Menina submetida a aborto passa bem, mas tem alta adiada

RECIFE - Os médicos adiaram a alta da menina de 9 anos que foi submetida a aborto em Recife. Ela foi estuprada pelo padrasto e estava grávida de gêmeos. De acordo com Sérgio Cabral, diretor da maternidade Cisam, onde foi feito o procedimento, a menina está bem fisicamente, mas ainda recebe tratamento para evitar doenças sexualmente transmissíveis.

"Ela está bem, rindo, conversando e brincando com suas bonecas. Mas, como casos em meninas tão novas não são comuns, a equipe médica optou por deixá-la em um tempo maior de observação", explica Cabral, que não quis especificar a data em que ela sairá do hospital. De acordo com ele, a menina está acompanhada pela mãe e recebe também atendimento psicológico.

O padrasto foi indiciado ontem por estupro qualificado. O desempregado Jailson José da Silva confessou à polícia que violentou não só a menina, que estava grávida de gêmeos, mas também a irmã dela, de 14 anos. A família morava em Alagoinha e ele está preso na vizinha Pesqueiro, no agreste pernambucano. O Ministério Público já está tomando as providências para encaminhar também a outra vítima para tratamento médico e psicológico. A legislação brasileira só permite o aborto em duas situações: em caso de estupro e quando a gestante corre o risco de morrer. Segundo a maternidade, o procedimento ocorrido ontem obedeceu aos dois casos.

O aborto foi criticado pela Igreja Católica, que excomungou a mãe da criança e os médicos responsáveis pelo procedimento. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, criticou ontem a medida, anunciada pelo arcebispo de Olinda e de Recife, dom José Cardoso Sobrinho. "Fiquei chocado com os dois fatos: com o que aconteceu com a menina e com a posição desse religioso que, equivocadamente, ao dizer que defende uma vida, coloca em risco uma outra tão importante."

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