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Superlotação

Metrô custa caro e obras são demoradas

As obras do metrô devem ser iniciadas ainda em 2009, mas só ficarão prontas em, no mínimo, 6 anos. Os especialistas divergem sobre a demora em implantar o modal. Eduardo Ratton afirma que esta é uma obra cara e complicada. "Quanto mais se demora para fazer, mais difícil é, pois não termina. Você tem sempre que ampliar as linhas, pois a demanda cresce", explica. Em todo o país, a opção pelo metrô só começou a ser pensada a partir da década de 60. Mas a maior parte dos países europeus já possuía linhas desde o início do século passado, assim como a Argentina.

O engenheiro civil Paulo César Marques, professor da Universidade de Brasília (UnB), diz que o Brasil investiu tarde e devagar no transporte coletivo. "De certa forma, os ônibus conseguiam atender a população de maneira satisfatória até a década de 70. Não havia necessidade de um investimento alto", justifica. "Mas, de lá para cá, não houve continuidade no planejamento das cidades brasileiras". Por outro lado, Marques diz que as soluções encontradas por Curitiba ainda são referência mundial em solução para o transporte.

O engenheiro civil Carlos Alberto Bandeira Guimarães, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também afirma que o ônibus resolvia a situação do transporte coletivo no Brasil. Mas, lembra que quanto mais cedo se constrói, mais barata a obra fica. "Hoje o valor de construção é altíssimo".

O arquiteto Clóvis Ultramari, professor do Mestrado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) diz que a decisão em adiar o metrô foi a mais correta. "Estas cidades que possuem linhas desde o início do século tinham condições de bancar a construção. O Brasil tinha outras prioridades, como água, esgoto e habitação". Ele diz acreditar que a cidade conseguiu resolver a questão do transporte coletivo sem precisar gastar muito, criando as vias exclusivas para ônibus e o sistema articulado.

O professor Pedro Akishino afirma que o transporte coletivo deve ser atraente para que os usuários abram mão do carro. "Em Tóquio as pessoas nem querem ter veículo próprio, pois o metrô é muito eficiente, assim como em Nova Iorque". Ele diz acreditar que na hora de optar entre um e outro o que mais conta são o preço e o conforto. (PC)

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