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Moedas sociais viram garantia de desenvolvimento regional

Recurso limita circulação de dinheiro em determinada região, desenvolvendo a localidade; Curitiba e região tem a sua cédula, o pinhão

  • Paola Carriel
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Moedas sociais viram garantia de desenvolvimento regional

Criadas para incentivar o desenvolvimento da economia de comunidades pobres, as moedas sociais ganharam força nos últimos anos e hoje movimentam milhões de reais todos os anos por meio de bancos comunitários. A moeda não oficial equivale ao real e é usada apenas em uma determinada localidade, favorecendo o comércio e o empreendedorismo da região. No Paraná, no próximo dia 10 de novembro a moeda pinhão completa uma década de existência, sendo utilizada hoje por 11 clubes de troca em Curitiba e Região Metropolitana.

Em setembro deste ano, a Cidade de Deus, favela localizada no Rio de Janeiro, também começou a trabalhar com uma moeda própria, a CDD. As cédulas são utilizadas no comércio local e, além de ajudar a desenvolver a comunidade, geram mais capital social entre os moradores. As notas têm fotografias de grandes lideranças comunitárias.

A primeira moeda social bem-sucedida no país foi implantada em Fortaleza, no Ceará. O Banco Palmas surgiu em 1998 impulsionado pela organização comunitária e desde então já comercializou mais de R$ 1,6 bilhão em crédito. Tudo começou na década de 70 quando pescadores que moravam na beira-mar foram despejados e mandados para uma área afastada do centro da cidade sem infraestrutura alguma.

Os moradores organizaram e financiaram quase toda a urbanização do bairro, da água encanada à energia elétrica. Mas as lideranças comunitárias perceberam que muitos vizinhos estavam vendendo as casas porque não tinham condições de pagar as tarifas dos serviços. Então se começou a discutir formas de gerar renda para a população.

Uma pesquisa realizada na década de 90 mostrou que 80% de tudo que era comprado pelos moradores era adquirido fora do bairro. Os líderes comunitários decidiram pensar em estratégias para fortalecer o comércio local e assim incrementar a renda. Assim nasceu o Banco Palmas e a moeda social mais famosa do país. A iniciativa teve tanto sucesso que os novos “banqueiros” ajudaram a implantar mais 66 bancos comunitários em dez estados do país e hoje fazem negócios com gigantes como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Paraná

No Paraná a moeda social pinhão foi criada pelo Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria). Lourdes Marchi, integrante do conselho do Cefuria, explica que o pinhão é usado quinzenalmente nas reuniões dos grupos de troca, quando as pessoas se encontram para trocar produtos e experiências. Há ainda uma reunião mensal com a participação de todas as equipes e oficinas de economia solidária. Cada grupo congrega até 20 integrantes, que comercializam desde verduras até artesanato. “Estamos construindo outra economia, não somente a baseada no lucro e exploração do trabalho. Os participantes trabalham com autogestão e não há um patrão.”

Princípios

Veja como é estruturado um banco comunitário:

Lastro

O circulante local tem lastro na moeda nacional, o real (R$). Ou seja, para cada moeda emitida, existe no banco comunitário, um correspondente em real;

Segurança

As moedas são produzidas com componentes de segurança (papel-moeda, marca d’água, código de barra, números serial) para evitar falsificações;

Incentivo

A circulação é livre no comércio local e, geralmente, quem compra com a moeda social recebe um desconto promovido pelos comerciantes e produtores para incentivar o uso da moeda no município/bairro;

Troca

Qualquer produtor/comerciante cadastrado no Banco Comunitario pode trocar moeda social por reais caso necessite fazer uma compra ou pagamento fora do município/bairro.

Restrição

A exemplo do Banco Comunitário, o controle e as riquezas geradas pela moeda ficam na comunidade.

Fonte: Banco Palmas.

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