Promotor Paulo Markowicz fez críticas à defesa de Virgínia| Foto: Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo

O Ministério Público (MP) considerou como "satisfatória" a primeira fase de testemunhos nas audiências de instrução do caso da médica Virgínia Soares de Souza, ocorridas entre a quarta e quinta-feira desta semana. Um dos promotores que acompanha o caso, Paulo Markowicz de Lima, concedeu entrevista coletiva na tarde de ontem, na sede do MP, para fazer um balanço desta fase do caso. Além disso, ele criticou a postura do advogado de defesa da médica, Elias Mattar Assad, em comentar o depoimento do auditor do Ministério da Saúde, Mário Lobato da Costa em entrevista na quinta-feira. Virgínia e mais seis pessoas são acusadas de antecipar mortes na UTI do Hospital Evangélico. Um oitavo réu é acusado apenas por formação de quadrilha.

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De acordo com Lima, o MP deve apresentar uma petição ao juiz do caso, Daniel Surdi de Avelar, com reportagens em que aparece o advogado comentando o testemunho. "Estamos analisando. O sigilo tem que valer alguma coisa", afirma o promotor. Na avaliação dele, pode haver um desequilíbrio de informações divulgadas pela defesa.

Lima explicou que a entrevista do advogado não corresponde com a verdade. Assad afirmou no segundo dia de audiências que disse que o auditor do Ministério da Saúde teria falado, durante seu depoimento, que a leitura dos prontuários não permite concluir se houve antecipação nas mortes investigadas no Hospital. Como consequência disso, o MP pode até pedir para que o sigilo de Justiça seja quebrado para que a sociedade tenha informações mais completas sobre o caso. Segundo Lima, o próprio Assad pediu ao MP prevenir para que Lobato não se pronunciasse publicamente sobre a auditoria.

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Foram ouvidas 14 testemunhas arroladas pelo pela acusação, entre elas cinco técnicos de enfermagem, três enfermeiros, três familiares das supostas vítimas, um médico e dois legistas.

Elias Mattar Assad afirmou que a declaração que ele deu à imprensa sobre o depoimento de Lobato não constitui quebra de sigilo do caso. Segundo o advogado, a informação repassada foi "um direito e um dever" da defesa, já que o próprio Ministério Público teria se posicionado anteriormente sobre o que estava ocorrendo no Tribunal do Júri.