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Questão agrária

MST põe fim em trégua de um ano no Paraná

Ocupação em Ponta Grossa é a primeira do movimento no estado desde 2008. Redução de famílias acampadas tira força dos sem-terra

  • PorThemys Cabral
  • 08/02/2010 21:04
Copetti Neves olha a distância a fazenda ocupada pelo MST: tenente-coronel diz poder provar que a terra é sua | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Copetti Neves olha a distância a fazenda ocupada pelo MST: tenente-coronel diz poder provar que a terra é sua| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

Embrapa diz que não quer ser "usada"

As áreas do São Francisco I e II estão situadas na região do Bo­­tuquara, em Ponta Grossa, às margens da Rodovia do Talco, a cerca de 10 quilômetros da BR-376. A facilidade de escoamento da produção agrícola é um atrativo da área. Porém, a terra é motivo de uma disputa judicial com a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Em­­brapa) há vários anos.

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Situação em Ponta Grossa é "exceção"

A ocupação da fazenda São Francisco II, em Ponta Grossa, está ligada estritamente a uma situação local e não significa que o MST deve voltar ao ritmo de anos atrás. "O ex-major foi um dos maiores perseguidores de sem-terra e é grileiro de terras da Embrapa.

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Ex-policial ganha apoio de ruralistas

Ruralistas de várias partes do estado se dirigiram ontem a Ponta Grossa para dar apoio ao tenente-coronel reformado Waldir Copetti Neves, que diz ser dono da área ocupada pelo MST no último sábado. Neves permanece sob uma barraca montada há cerca de 150 metros do acampamento.

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  • Veja a evolução da situação agrária no Paraná nos últimos anos

A ocupação da fazenda São Francisco II, em Ponta Grossa, no último sábado, quebra uma trégua de um ano e dois meses dada pelo Movimento dos Trabalha­­dores Sem Terra (MST) no Paraná. A última ocupação realizada pelo MST havia sido em novembro de 2008, na fazenda Variante, em Porecatu, no Norte do Paraná. De acordo com um dos coordenadores do MST no Paraná, José Da­­masceno, há duas explicações para a trégua: a primeira é a conjuntura político-social vivida no Brasil e no Paraná; a segunda é o foco do movimento nos trabalhadores já assentados.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que, em 2003, o MST chegou a realizar 28 ocupações só no estado do Paraná. Ano após ano o número foi caindo, chegando ao patamar de 10 em 2008 e a zero em 2009. Um aumento de trabalhadores assentados poderia explicar uma necessidade menor de realizar novas ocupações. Mas isso, sozinho, não explica a diminuição das ocupações. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mostram que, na verdade, o número de famílias assentadas a cada ano também vem diminuindo no Paraná. Em 2004, 2.417 famílias foram assentadas; em 2005, foram 765. De 2006 a 2008, o número de famílias assentadas por ano não passou de 350.

Para a Federação da Agricul­tura do Estado do Paraná (Faep), a ausência de ocupações, durante pouco mais de um ano, mostra que o MST está preocupado em não causar transtornos à possível candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT). Essa conexão ficou explícita, segundo a Faep, depois que o líder nacional do MST João Pedro Stédile, declarou que apoia a candidata governista.

Dissidências

A inatividade do MST no campo, porém, não representou o fim das ocupações de terra no Para­ná. Isso porque nem todos os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária têm agido da mesma forma. Em 2009, num levantamento feito pela CPT, o Paraná registrou 18 ocupações até o dia 15 de novembro – to­­das realizadas por outros movimento sociais.

"Os movimentos têm feito leituras diferentes da conjuntura. Parte tem percebido que não adianta apenas ocupar. Há famílias que aguardam a reforma agrária e estão há cinco, seis, sete anos em acampamentos", afirma o secretário-executivo da CPT do Paraná, Éber Dartora. As ocupações são eficazes, lembra Dartora, uma vez que 80% dos assentamentos no Brasil são consequência de uma ocupação prévia. Mas, segundo ele, este é um momento de reflexão dentro do movimento sobre este tipo de iniciativa.

Para o secretário-executivo da CPT, ainda não há conexão entre interesses eleitorais e a redução do ritmo de ocupações realizadas pelo movimento. "O MST é um movimento de 30 anos e não vai se pautar por eleições", opina. Damas­ceno também nega que o MST tenha dado trégua a fim de favorecer Dilma. "A ação depende da conjuntura política e social, mas não eleitoral", diz. Segundo Da­­masceno, uma prova disso é que nem todos os estados da federação seguem a tendência do MST do Paraná.

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