Uma idosa de 79 anos foi amarrada e agredida na tarde desta quinta-feira (19) em sua própria casa, localizada no bairro Bigorrilho, em Curitiba. Os responsáveis por render a vítima levaram cerca de R$ 1.800 da residência, dinheiro da aposentadoria da vítima. Chamada para atender o caso e procurar os ladrões, a Polícia Militar levou mais de uma hora para chegar no local.

Por volta das 14h, a idosa estava sozinha em casa - ela mora com um filho que trabalha nesse horário. Um casal a chamou no portão da casa. Com jalecos azuis, a dupla se apresentou como agentes da vigilância sanitária que inspecionariam a casa em busca de focos da dengue, de acordo com um familiar da idosa, que prefere não ter o nome divulgado. Para dar veracidade ao golpe, os ladrões mostravam papéis com o timbre da Prefeitura de Curitiba e da Fundação de Ação Social (Fas). Alguns desses supostos documentos foram depois esquecidos na casa da idosa.

A vítima estranhou e apresentou um documento da prefeitura provando que a casa fora inspecionada há pouco. A dupla insistiu, mas não convenceu a idosa. Pediram então um copo de água. A idosa abriu o portão e permitiu que os golpistas entrassem na propriedade.

"Não reaja que isso é um assalto", teria dito o homem alto, magro, pele morena clara, de cerca de 30 anos, enquanto apontava um revólver contra a senhora. A vítima reagiu. O homem colocou a mão no pescoço da idosa e a amarrou com peças de roupa. Para evitar os gritos, o criminoso colocou um fio de um barbeador elétrico amarrado na boca e na nuca da mulher setuagenária.

Enquanto o homem rendia a vítima, a mulher, que também tem a pele morena clara e que aparenta ter 20 anos, buscava dinheiro. Encontrou cerca de R$ 1.800, todas as economias da idosa.

De acordo com um jardineiro que trabalhava em frente da casa, o casal saiu calmamente em um carro de cor preta pequeno. Cinco minutos mais tarde, a vítima conseguiu se libertar e chamou a Polícia Militar. Eram 14 horas.

70 minutos

Enquanto esperava a polícia, a idosa chamou os familiares. Vizinhos se prontificaram a testemunhar e passar as características dos golpistas. Porém, sob a alegação de excesso de serviço, uma equipe da Polícia Militar só chegou setenta minutos depois de acionada - o registro no sistema de emergências da PM confirma a demora apontada pelos vizinhos e parentes. Alegando outros compromissos, as testemunhas foram embora.

"A gente fica indignado com a falta de viaturas, policiamento. Os policiais nos atenderam muito bem, mas os criminosos poderiam estar presos", reclama o genro da vítima, que se diz frustrado com a atuação da polícia. Frente a isso, afirmou que a família ainda não decidiu se registrará um boletim de ocorrência na Polícia Civil. "Será que adianta alguma coisa?", questiona.

A reportagem tentou entrou em contato com a assessoria de imprensa da PM às 18h50, mas até o momento não obteve respostas sobre a demora do atendimento.

Os familiares da vítima ressaltam que ao chegar, os policiais militares foram atenciosos. Registraram a ocorrência sob o protocolo AA 838167 e saíram do local em alta velocidade. Teriam, segundo disseram, uma outra ocorrência urgente em Santa Felicidade.

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