Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Crime em São José dos Pinhais

Mulher que sequestrou bebê confessa que matou adolescente, diz polícia

Polícia afirmou que Eva Cássia Ferrarezi Zeglan, de 40 anos, quis comprar o bebê e teria matado a garota porque a jovem se arrependeu do negócio

Eva foi apresentada na tarde desta quinta-feira (31) | Sesp - Giovani Santos
Eva foi apresentada na tarde desta quinta-feira (31) (Foto: Sesp - Giovani Santos)
Delegados apresentaram resultado das investigações, em entrevista coletiva; à frente, roupas de bebê encontrados com a acusada |

1 de 2

Delegados apresentaram resultado das investigações, em entrevista coletiva; à frente, roupas de bebê encontrados com a acusada

 |

2 de 2

A Polícia Civil afirmou, em entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira (31), que Eva Cássia Ferrarezi Zeglan, de 40 anos, confessou que assassinou a adolescente Paloma Agostinho, de 16 anos, encontrada morta no fim de semana, em São José dos Pinhais, na região metropolitana. Em depoimento, Eva disse que decidiu cometer o crime porque a jovem teria desistido de vender o filho à acusada. A mulher havia sido presa no Posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Santa Terezinha de Itaipu, por volta do meio-dia da quarta-feira (30).

"Segundo a acusada, a adolescente havia negociado a venda da criança, mas se arrependeu e quis desfazer o negócio", disse o delegado Hamilton da Paz, chefe da Divisão Metropolitana. "Eva usou um pano para enforcar a vítima", complementou.

Paloma desapareceu na quinta-feira (24), em Guaratuba, no Litoral, depois de ter levado o filho – que tem menos de um mês de vida – a um posto de saúde, para fazer o exame do pézinho. Segundo a polícia, Eva convenceu a jovem a acompanhá-la a São José dos Pinhais, onde a adolescente receberia R$ 1,5 mil para lhe entregar a criança. Eles viajaram em um Pálio, que pertence à mulher, onde Paloma e o Filho permaneceram até o início da manhã de sábado, quando a adolescente foi assassinada e teve o corpo abandonado em uma estrada de terra, no bairro Rio Pequeno.

"Após discutirem porque Paloma desistiu de entregar o filho, as duas entraram em luta corporal. Depois de matar a menina, Eva rodou com o corpo da adolescente dentro do carro por um tempo, até abandonar o cadáver", contou o delegado Gil Rocha Tesseroli. "A acusada morou por um tempo em São José dos Pinhais, próximo ao local onde o corpo foi encontrado", acrescentou.

De acordo com a polícia, Eva havia alugado uma casa em Guaratuba, próximo a residência da avó de Paloma, onde conheceu a jovem. A acusada teria chegado a acompanhar a gestação da adolescente.

Fuga

Após cometer o crime, Eva teria retornado com o bebê de Paloma a Guaratuba para pegar seus supostos dois filhos (uma jovem de 19 anos e um de 15 anos) e de uma menina de cinco anos, que pretendia adotar. A bordo do Pálio, o grupo partiu em direção ao Oeste do estado. Segundo a polícia, Eva passou em Guaraniaçu, onde teria abandonado pessoalmente o filho de Paloma, na terça-feira (29), na Igreja Nossa Senhora de Fátima. Junto ao corpo da criança, ela deixou um bilhete, na tentativa de despistar a polícia.

Eva foi presa na quarta-feira, no posto da PRF. No carro, foram encontrados oito peças de roupas de criança, fraldas, lenços umedecidos, leite em pó para recém-nascidos, cobertores e a certidão de nascimento do filho de Paloma. "Durante a abordagem, ela disse que visitaria uma amiga em Foz do Iguaçu, mas não tinha nem o telefone nem o endereço desta pessoa. Acreditamos que Eva procurava fugir do flagrante", apontou o delegado Lúcio Lugli.Evidências

Para o delegado Hamilton da Paz, a troca de informações constante entre as polícias de São José dos Pinhais, Guaratuba e Foz do Iguaçu foi determinante para que o caso fosse solucionado. Segundo a polícia, os depoimentos de um pai-de-santo e de uma atendente de um centro de umbanda de Guaratuba foram fundamentais.

Antes de tentar fugir para o Oeste do estado, Eva teria levado o bebê de Paloma para receber uma bênção no centro de umbanda. A atendente e o pai-de-santo, no entanto, suspeitaram quando viram esparadrapos nos pés da criança. "Eles conversaram com Eva, que teria confessado a eles que teria feito uma ‘grande besteira’, e que essa ‘besteira’ envolvia morte", disse Tesseroli. Após isso, o pai-de-santo denunciou o fato à polícia.

Dentre as testemunhas ouvidas nas investigações está o pai do bebê, pedreiro Jefferson de Góes, 33 anos. Por enquanto, não há evidências de que ele tivesse ciência da suposta "venda" do filho a Eva. A polícia também afirma que não há elementos que indiquem que Paloma fosse usuária de drogas, como o bilhete escrito por Eva chegou a supor.

Segundo Lugli, Eva será indiciada por sequestro seguido de morte. Presa temporariamente por 30 dias, a mulher foi apresentada à imprensa durante a entrevista coletiva, mas não quis se pronunciar. O futuro do bebê, dos jovens e da criança que estavam com Eva serão decididos pela Justiça.

Crime

O corpo da vítima foi encontrado caído às margens de uma estrada rural, no bairro Rio Pequeno, no sábado (26). O corpo estava em um matagal na Rua Estefano Woicikieviz, próximo da represa de captação Rio Pequeno, da Sanepar. O local é uma área do turismo rural conhecido como Colônia Mergulhão.

Familiares da adolescente estiveram no IML, em Curitiba, na terça-feira (29) para liberar o corpo da jovem. O pai, o tio e o companheiro da vítima também prestaram depoimento, em São José dos Pinhais, na terça-feira. O velório e o enterro da jovem ocorreram na quarta-feira (30), em Guaratuba.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.