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Preservação

Mumificação: vida para o corpo após a morte

A técnica de embalsamamento de corpos começou 8 mil anos antes do nascimento de Cristo, no Chile, e só 5 mil anos depois apareceu no Egito. Hoje há sete múmias egípcias no Brasil, uma delas em Curitiba

  • Pollianna Milan
Tothmea, que está em Curitiba, tinha cerca de 25 anos quando morreu, há 2700 anos. Pouco se sabe sobre ela: o que é possível afirmar é que era de Tebas (Grécia) e possivelmente uma cantora do templo da deusa Isis |
Tothmea, que está em Curitiba, tinha cerca de 25 anos quando morreu, há 2700 anos. Pouco se sabe sobre ela: o que é possível afirmar é que era de Tebas (Grécia) e possivelmente uma cantora do templo da deusa Isis
 
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Mumificação: vida para o corpo após a morte

Engana-se quem acredita que as múmias mais antigas do mundo são do Egito. A técnica de embalsamamento artificial já existia cerca de 5 mil anos antes na região de Arica (norte do Chile), com a tribo chinchorro, que desenvolveu um processo próprio de mumificação. Os chinchorros iniciaram o procedimento por volta de 8000 a.C.: eles retiravam a carne (pele e músculos) e remontavam o esqueleto com fibra vegetal para estabilizar os ossos. Depois, preparavam uma pasta de argila e óxido de manganês e passavam sobre o esqueleto. Por último, recobriam o cadáver com pele, até de outros animais.

“Normalmente os embalsamados eram parentes mortos. No enterro, objetos iam junto com o corpo, porque a tribo acreditava que eles seriam úteis na outra vida”, explica o arqueólogo Moacir Elias Santos, professor de História Antiga do Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade).

Na técnica de mumificação do Egito, a pele e os músculos eram conservados. Retiravam-se os órgãos, que eram colocados em recipientes conhecidos como vasos canópicos, ao lado do sarcófago. Além disso, o corpo era seco depois de aproximadamente 35 dias de imersão em um tipo de sal, chamado natrão. O enfaixamento garantia a estrutura e conservação do cadáver. “O auge da mumificação no Egito se deu nos anos 1500 a.C. e 1070 a.C. Dizemos que são as melhores múmias, porque foi a partir daí que eles passaram a tirar as vísceras e o cérebro”, explica a historiadora Liliane Cristina Coelho, professora de História Antiga e Medieval da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

A mumificação foi usada no Egito até o século 4. Posteriormente, com a presença do conquistador romano Constantino, o cristianismo foi imposto como religião oficial e os templos egípcios foram fechados. É exatamente a partir do momento em que se impõe a crença de que a alma se separa do corpo, após a morte, que a mumificação perde seu sentido.

Comercialização

Há diversas múmias egípcias espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil. Sete delas estão por aqui (seis no Rio de Janeiro e uma em Curitiba). Uma frase famosa na historiografia explica tudo: “Turistas que estivessem no Egito, no século 19, voltavam para seus países com uma múmia debaixo de um braço e um crocodilo debaixo do outro”. Por mais estranho que possa parecer, a comercialização de múmias foi intensa no Egito até que aquele país tomasse consciência do patrimônio histórico que estava perdendo e criasse o Museu do Cairo (1858).

Brasil

Cinco múmias do Rio de Janeiro foram compradas pelo imperador D. Pedro I, depois de serem barradas na entrada da Argentina, em 1826. A sexta, D. Pedro II recebeu de presente quando esteve no Egito.

A múmia egípcia Tothmea, de Curitiba, tem uma história curiosa. Foi dada de presente, em 1885, ao secretário americano Samuel Sulivan Cox, durante uma visita ao Egito. Depois, ela foi adquirida pelo diretor do Museu George West, em Round Lake. Naquela época, foi desenfaixada e, por isso, teve os pés quebrados. Quando o museu fechou, a múmia acabou em um celeiro. Em seguida foi parar num porão, quando um objeto caiu em sua face e alguns ossos se quebraram. Em 1897, Tothmea foi adquirida pelo Museu Rosacruz de San José (Califórnia). “Inauguramos o Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba em 1990, e conseguimos a doação de Tothmea em 1997”, conta a historiadora do museu da capital paranaense, Vivian Tedardi.

No Brasil, índios também faziam embalsamamento

Eles vivem entre os rios Madeira e Tapajós, na divisa entre Pará e Amazonas. Os índios Mundurukus, até o fim do século 19, faziam embalsamamento das cabeças dos inimigos que matavam, como se fosse um troféu. Esse é o único registro de prática de mumificação artificial no Brasil.

O cérebro era extraído com um pedaço de bambu e os dentes eram arrancados para serem usados em colares. Com a resina das árvores, eles colavam dentes de outros animais e espetavam a cabeça em cima de uma fogueira para secar. “Na fogueira, usavam óleo de copaíba para mumificar. A fumaça do óleo impregnava na pele, que ficava igual a um pergaminho”, diz Moacir. Depois eles colocavam adornos e o cabelo de volta na cabeça do cadáver.

No Equador, a tribo jívaro também tinha como prática mumificar a cabeça do inimigo, com a diferença de que usavam para o embalsamamento apenas a pele e os músculos. Acreditava-se que assim o espírito do inimigo morto não os importunaria. Como os ossos eram descartados, ao aquecer a cabeça na fogueira, ela ia diminuindo até ficar do tamanho de uma maçã.

No museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba há uma múmia andina, de uma menina com menos de 1 ano. Ela foi doada por um senhor e ainda está em estudo: assim que passar pelas tomografias e exames necessários, ficará em exposição.

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