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Natureza

No terraço do Adir tudo o que se planta, dá

Ele começou com um vaso e um desafio. De repente, descobriu que tinha “mão boa” para plantas e que podia cultivar um pomar e um jardim de rosas

  • PorJosé Carlos Fernandes
  • 22/11/2008 21:07
Adir Hillani no jardim suspenso que criou na Mateus Leme: “É só querer. Chega de discurso" | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Adir Hillani no jardim suspenso que criou na Mateus Leme: “É só querer. Chega de discurso"| Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo

O empresário curitibano Adir Hillani, 50 anos, se autodefine como um "cara de apartamento – desses que não sabe o que é uma macieira". Foi assim desde criança. "Nunca peguei na enxada", resume. Pelo menos até 2006, quando um ambulante lhe ofereceu sementes de árvores frutíferas e garantiu que "pegava no vaso." Adir pagou para ver e acabou contaminado por algum vírus da natureza. Hoje, o terraço de seu escritório – uma área de apenas 50 metros quadrados, na parte mais movimentada da Avenida Mateus Leme – abriga nada menos do que 40 recipientes nos quais cultiva uma infinidade de frutas, flores, verduras e legumes.

O local virou seu xodó. E não só dele. Clientes – e parte dos 500 funcionários de Adir, profissional da área de estética – visitam a famosa área verde e só tomam chás feitos com ervas retiradas dali. No fim do expediente, não raro alguém vai embora com alfaces colhidos numa das áreas mais urbanizadas de Curitiba. A decoração também é feita com rosas apanhadas no próprio andar de cima – onde, coisa rara numa empresa, computadores dividem espaço com podões e espátulas.

O terraço do Adir lembra a famosa cobertura do cronista Rubem Braga, uma espécie de jardim suspenso em plena Zona Sul carioca. "Acho que todo mundo podia fazer o mesmo. E, cá entre nós, bem que prefeitura podia plantar árvores frutíferas nas praças", sugere. A contar pela desenvoltura com que Adir – até pouco tempo leigo no assunto – transita no terraço da Mateus Leme, a idéia até que não é má. Ele se diz "outra pessoa." Põe bananas no tronco para atrair canário, periquito e sabiá, observa o pé de abacaxi com ansiedade adolescente e acompanha atento o desenvolvimento de sua última aquisição – um pé de oliveira. "Vou colher azeitonas."

É um desafio segui-lo na descrição das espécies: figo, pêssego, nectarina, amora, mimosa, ameixa amarela, limão-taiti, kiwi, morango, banana, jabuticaba... A contar pela lista, são 40 tipos de frutas, sem contar o resto. "Você anotou as uvas. Coloque aí: branca e rosada. Estou de olho nesse parreiral. Acredita que ano passado deu manga? Assim, ó!"

Melhor não duvidar que, contra todos os prognósticos, no pomar do Adir a teoria das plantas amigas e inimigas ali não vale. "Aqui é tudo amigo. Não vale essa história. Tudo pega. Tudo combina. Dá tudo certo", brinca, que é para afugentar os obstáculos que costumam ser arrumados toda a vez que o assunto é mudança de hábitos.

De uns tempos para cá, Adir deu de propagar – no melhor do estilo sessentista –, que mudar é possível e que o sonho não acabou. É provável que angarie seguidores, já que virou praticamente um profeta da auto-ajuda ecológica. "Chega de discurso. Tem de fazer alguma coisa", proclama. E por fazer, entenda-se, volta e meia retirar as plantas dos vasos, cortar as raízes para que o pior não aconteça. Outra dica é podar, regar e, como no melhor dos manuais, amar.

"Podem rir. Mas que uma dose de carinho garante o sucesso da plantação. Eu gosto disso aqui. Isso faz diferença", declara, enquanto aponta para as romãs, para a macieira carregada e mostra o pé de pitanga. "Eu não conhecia nada disso. Demorei muito para encontrar a natureza. Quem tem um pomar não precisa de psiquiatra."

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