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Patrimônio histórico

O império Matarazzo

Imóveis que pertenceram a industrial italiano em Jaguariaíva e Antonina estão em processo de tombamento jaguariaíva

  • Diego Antonelli, especial para a Gazeta do Povo
Construída em 1924, casa onde viveu o conde Francesco Matarazzo em Jaguariaíva é ocupado pelo Museu Histórico |
Construída em 1924, casa onde viveu o conde Francesco Matarazzo em Jaguariaíva é ocupado pelo Museu Histórico
 
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O império Matarazzo

Quando o conde italiano Francesco Matarazzo, então com 27 anos, desembarcou no Brasil em dezembro de 1881, uma maré de azar parecia acompanhá-lo. Logo no desembarque, ele viu naufragar as duas toneladas de banha de porco que havia trazido para iniciar uma atividade comercial no país. Na tentativa de conseguir sobreviver em solo estrangeiro, o imigrante optou por montar um armazém de secos e molhados em Sorocaba, no interior de São Paulo. Dois anos mais tarde, ele começou a traçar sua trajetória de sucesso que marcou o sobrenome Matara­zzo na história do Brasil. Em 1883, criou na própria residência sua primeira fábrica – uma prensa de madeira e um tacho de metal –, usados para a produção de banha de porco. Naquela época, o café era o produto mais importante da economia nacional, mas o conde optou por investir em outros produtos essenciais à mesa do brasileiro. O primeiro salto na carreira dele foi exatamente a ideia de vender banha de porco em lata. Naquela época, boa parte do produto era importada dos Estados Unidos e vinha em barricas de madeira, que muitas vezes deixavam o conteúdo estragar. A aposta deu certo. Essa foi a primeira das mais de 200 fábricas que compunham as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, que chegaram a empregar mais de 30 mil pessoas. Os ramos da empresa também foram se diversificando. No fim da primeira década do século passado, ele já havia se consolidado como um dos empresários mais importantes nos ramos de alimentos, tecidos e óleos.

O empresário deixou um legado que transcende a história econômica do país. Seus investimentos foram fundamentais para a vida de milhares de famílias e o desenvolvimento de diferentes regiões. No Paraná, o conde italiano estendeu seus tentáculos até as cidades de Antonina, no litoral, e Jaguariaíva, no Norte do estado. Ainda hoje, as ruínas do império Matarazzo fazem parte da arquitetura, cultura e recordação da população.

Para preservar a memória viva que marcou o início do século 20, o Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná irá elaborar um novo estudo para tombar todo o complexo Mata­razzo, localizado em Jagua­riaíva. Na última segunda-feira, durante reunião do órgão, foi recusado o tombamento isolado do palacete onde morou o conde Francisco Matarazzo no início do século passado. A meta do governo estadual é tombar tanto a moradia quanto a antiga fábrica que pertenceu à família até o início dos anos 80.

Segundo Rosina Parchen, coordenadora do Patrimônio Estadual, não faz sentido tombar apenas a residência. “O Conselho entendeu que se for para tombar, deve ser todo o patrimônio que pertenceu ao empresário na cidade. Vamos fazer um novo estudo”, diz. De acordo com ela, o complexo é um marco histórico-cultural. “Foi através desse empreendimento que a economia do Norte do Paraná teve um grande impulso”, salienta.

Em Antonina, o complexo Matarazzo, onde funcionavam os moinhos de trigo, sal, açúcar e erva mate, além do porto, passa por um processo de tombamento pelo Instituto do Patri­mônio Histórico e Artístico Nacio­nal (Iphan). O moinho, o porto, a escola e a residência serão mantidos.

A saga do empresário passou por Jaguariaíva

Um dos sonhos antigos do conde Francesco Matarazzo era construir um frigorífico na Região Sul do Brasil. Ao passar de trem por Jaguariaíva, no Norte do estado, ele percebeu uma série de vantagens em investir na cidade: ponto estratégico por ter uma estrada de ferro, centro criador de suínos e ser cortada pelo Rio Capivari. A sede da indústria na cidade começou a ser edificada em 1918 e foi concluída dois anos mais tarde. No local funcionou o frigorífico da família até o ano de 1964. Matarazzo também instalou uma usina hidrelétrica própria para o funcionamento da empresa.

Dificuldades econômicas obrigaram a família a abandonar o negócio. A partir daí, a família transformou o local em uma fábrica de tecelagem. Porém, no início dos anos 80 o espaço foi vendido para a Companhia Nacional de Estamparia. No início da década seguinte, todo o complexo industrial foi adquirido pela prefeitura do município.

Os espaços internos e externos da antiga fábrica vêm passando nos últimos três anos por ampla revitalização, com remoção de entulhos e sucatas. O local abriga hoje uma escola municipal, duas empresas privadas e órgãos da prefeitura – incluindo uma sala de cinema para os alunos da rede pública.

Construída em 1924, o palacete onde residiu a família do conde hoje funciona como sede do Museu Histórico Municipal Conde Francisco Matarazzo. Segundo Amanda Colodel, do Depar­ta­men­to de Turismo da prefeitura, Jagua­riaíva tinha, em 1900, cerca de 3,8 mil habitantes. Com o início das atividades do frigorífico Matara­zzo, em 1920, a população chegou a 15 mil pessoas. Hoje, a cidade tem 32,6 mil moradores, segundo o Censo 2010.

Em Antonina o investimento das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo significou um promissor período econômico para a cidade. Durante a década de 1910 até meados de 1960, o município teve sua economia arraigada nessas fábricas, que hoje se encontram desativadas.

Serviço:

Para conhecer mais sobre a história do empresário Francesco Matarazzo no Brasil, uma dica são os livros Matarazzo: A Travessia e Colosso Brasileiro, de Ronaldo Costa Couto. Os livros foram publicados pela Editora Planeta, em 2004.

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