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Cultura

O museu de um homem só

Casarão secular abriga 10 mil peças antigas em Ponta Grossa. Coleção particular surgiu de forma espontânea

  • Derek Kubaski, especial para a Gazeta do Povo
José Mourinho teve o contrato renovado com o Real Madrid até 2016 |
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“Tenho seis funcionários neste museu, só que todos eles se chamam Aristides Spósito”, brinca seu Aristides, que cuida sozinho de um casarão de 150 anos onde estão cerca de 10 mil peças, dos mais variados tipos, que guardam até quatro séculos de história. Assim como outros apaixonados pelo passado, mesmo sem ter qualquer tipo de formação específica em História ou Museologia, Spósito trabalha em tempo integral para manter o Museu Época, em Ponta Grossa (Campos Gerais), limpo e organizado.

Com 74 anos, cego do olho direito e com apenas 25% da visão no esquerdo, ele nem pensa em deixar de lado as relíquias obtidas graças a um trabalho exaustivo e dispendioso. “Tudo o que se vê aqui foi conseguido por meio de doação, mas eu tive de buscar. Andei pelo Paraná todo e também por Santa Catarina, sempre às minhas custas, para recolher tudo”, conta.

É difícil determinar com precisão o número de museus que nascem de forma espontânea no Brasil, como o Época, mas eles são fundamentais para a formação de museus mantidos pelo poder público, entidades ou empresas.

Um exemplo é o Museu Campos Gerais, pertencente à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). “Tudo começou quando, na década de 1940, intelectuais da cidade que faziam parte do Centro Cultural Euclides da Cunha começaram a juntar uma série de objetos de valor histórico. No entanto, o acervo só foi ganhar um espaço específico e próprio em 1983, quando o museu passou a existir de fato”, explica a historiadora e diretora do Museu Campos Gerais, Elizabeth Johansen.

Ela explica que as coleções espontâneas acontecem, basicamente, de duas formas. “Os objetos podem ser bastante diversos, representar segmentos diferentes da história de um cotidiano local [como é o caso do Museu Época] ou podem estar ligados a apenas um segmento, como os museus e coleções dedicados ao tropeirismo, por exemplo”, salienta. Elizabeth conta que, em diversas ocasiões, emprestou objetos do Época para utilizar em exposições promovidas pelo museu da universidade. “Acervos como o do seu Aristides são muito importantes para a preservação da memória de uma cidade.”

Épocas do Época

Do lado de dentro das espessas paredes de estuque (uma mistura de madeira e barro) da casa secular, Spósito coleciona um pouco de tudo. À primeira vista, o visitante pode pensar que não existe um roteiro definido. Engano. O proprietário do Museu Época conduz a visita do começo ao fim. Uma das primeiras peças que ele faz questão de mostrar é a cruz da antiga Capela de Santana. “Ela foi feita na Suíça e fazia parte da primeira capela da padroeira, construída na época em que o capão de Ponta Grossa foi elevado a Freguesia, em 1823”, conta.

Com alguma dificuldade, Spósito fez plaquinhas que apontam as principais características de boa parte das peças, origem e alguns dados históricos. A “viagem” que começa com os objetos sacros passa por peças que permitiam acender os primeiros postes elétricos da cidade, no começo do século 20; animais taxidermizados de diversas espécies; muitas máquinas de escrever, algumas com mais de cem anos; utensílios de cozinha dos anos 1840; entre outras raridades.

Num dos cômodos do museu, montou um quarto típico de meados do século 19 que dá bem a dimensão do empenho que ele tem diariamente. “Naquela época, os colchões eram feitos de palha. Eu mesmo fiz este colchão, enchendo-o com 25 sacos de palha de milho. Tudo aqui dá trabalho, mas eu amo o que faço, mesmo não ganhando um tostão sequer”, ressalta.

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