Repercussão

Richa nega que facções criminosas controlem presídios do Paraná

Em entrevista concedida ontem ao jornal PRTV 1ª edição, da RPCTV, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) negou facções criminosas exerçam controle dentro dos presídios do estado. Segundo o governador, que está em Londrina, o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos complexos penais paranaenses "não é verdade". Ontem, a Gazeta do Povo publicou uma reportagem que mostra o progresso do PCC em presídios do estado. O jornal teve acesso a vídeos e fotos feitos por agentes penitenciários. Richa disse que as unidades penais paranaenses têm uma "grande administração" e que estado acompanha de perto a atual situação enfrentada nestes locais.

Reféns são liberadas após 3 horas

As duas agentes penitenciárias feitas reféns pelas detentas do Centro de Regime Semiaberto Feminino (Craf) na noite de quarta-feira foram liberadas por volta da 1 hora da madrugada de ontem – cerca de três horas após o início do motim. A unidade fica no bairro Tingui, em Curitiba. O tumulto não deixou feridos. De acordo com informações da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, a liberação veio depois que o diretor do Depen, Cezinando Paredes, prometeu uma reunião com o grupo para reavaliar alguns procedimentos internos do Craf. O encontro aconteceu ontem.

As cinco rebeliões ocorridas em unidades prisionais do Paraná, entre dezembro de 2013 e janeiro deste ano, não foram comandadas por facções criminosas ou por detentos de alta periculosidade. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Secretaria de Justiça (Seju), os motins foram deflagrados por presos que cumpriam pena longe do domicílio de suas famílias ou que reivindicavam melhores condições de estrutura e assistenciais – como acesso a médicos e advogados.

Na última quarta-feira, duas unidades registraram rebeliões com reféns: a Penitenciária Central do Estado (PCE) e a Centro de Regime Semiaberto Feminino (Craf). "Essas rebeliões não são coisa de facção. Em geral, são presos de bom comportamento, que estão com a pena quase vencendo", disse a advogada Isabel Kügler, da comissão nacional de direitos humanos da OAB.

Em quatro dos cinco motins realizados nos últimos dois meses, os presos rebelados exigiram transferência e acabaram removidos para outras unidades prisionais do Paraná. Somente no Craf, as detentas condicionaram a libertação da refém a melhorias estruturais.

Em nota, o diretor-geral da Secretaria de Estado de Justiça (Seju), Leonildo Grota, também afirmou que as ocorrências recentes foram motivadas por presos que queriam transferência. "Não há, portanto, nenhuma reclamação contra superlotação, torturas e tratamento penal desenvolvido nas unidades e nenhuma dessas ações configura rebelião", apontou Grota.

O texto ressalta que a Seju encaminhou ao governador pedido de contratação de novos profissionais, entre os quais estão 423 novos agentes penitenciários, que já foram aprovados em concurso público. Eles devem ser contratados até março deste ano.

"Condições péssimas"

Ontem, membros da OAB passaram a tarde reunidos no Departamento Penitenciário (Depen), discutindo as condições estruturais do Craf. Segundo Isabel, a unidade está com presas além da capacidade: são 170 mulheres detidas, para 130 vagas. Além disso, sete crianças, com idades de 20 dias a dois anos dormem no mesmo cômodo que duas idosas que estão com doenças pulmonares.

"Tudo isso gera uma situação de angústia em todas elas, principalmente nas que têm filhos pequenos. As condições são péssimas. Elas não pedem nada além de humanização", disse a representante da OAB.

Segundo Isabel, quase todas as reivindicações das presas foram atendidas pelo Depen. A Gazeta do Povo tentou contato com o coordenador do Depen, Cezinando Paredes, mas ele estava em reunião.

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