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São Paulo – O secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, deixou o cargo ontem, mas sua saída não impede que responda pelas decisões tomadas enquanto esteve no cargo. Furukawa será chamado a depor no inquérito administrativo aberto pelo Ministério Público, que investiga a entrada de aparelhos de tevê nos presídios.

O ex-secretário admitiu que autorizou a entrega e que os televisores não foram pagos pelo Estado. Agora, o MP quer saber se ele tomou a iniciativa de investigar quem pagou e qual a origem do dinheiro usado na compra. Caso não tenha tomado estas providências, Furukawa deverá responder por improbidade administrativa.

Em seu pedido de demissão, Furukawa alegou razões de "natureza pessoal" para deixar o cargo. Ao aceitar o pedido, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), agradeceu os serviços prestados e, em despacho, afirmou que a filosofia aplicada no sistema penitenciário por ele "será objeto de análise, reflexão e futuras decisões".

A saída do secretário ocorreu duas semanas após a onda de terror em São Paulo provocada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as autoridades, os ataques foram motivados pela decisão de Furukawa de transferir para presídios de segurança máxima cerca de 700 líderes do crime organizado no estado.

Furukawa ficou cerca de seis anos e meio à frente da Secretaria de Administração Penitenciária. Já na condição de ex-secretário, ele afirmou que o momento é de unir forças.

Foi durante a gestão de Furukawa que o crime organizado cresceu e passou a dominar os presídios paulistas. O crime organizado realiza cada vez mais rebeliões, matando presos e fazendo agentes reféns. No ano passado e início deste ano, houve grande aumento no número de rebeliões.

Foi também durante a gestão de Furukawa que os presos passaram a usar com facilidade telefones celulares. No último dia 12, o problema saiu de dentro dos presídios e ganhou as ruas de São Paulo. Durante a semana de ataques, a polícia chegou a dizer que o celular é mais perigoso do que armas. Neste período, foram cerca de 300 ataques atribuídos ao PCC. As ações causaram a morte de 24 policiais militares, 7 policiais civis, 3 guardas municipais, 8 agentes penitenciários e 4 civis. Nas rebeliões, 17 presos morreram. A operação policial para conter a violência e localizar os criminosos resultou em outras 110 mortes.

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