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Igreja Católica

Quem é o padre DJ que conquista multidões com música eletrônica

O padre Guilherme Peixoto tem se tornado mundialmente conhecido por unir música católica ao eletrônico.
O padre Guilherme Peixoto tem se tornado mundialmente conhecido por unir música católica ao eletrônico. (Foto: Reprodução/Instagram/padre.guilherme)

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A música feita por um padre português tem alcançado multidões em todo o mundo. Nas redes sociais, vídeos do seu trabalho chegam a ter 1,5 milhão de visualizações e cerca de 9 mil comentários, em sua maioria positivos, admirando o feito do sacerdote. O curioso, para muitos, é o estilo musical: o eletrônico.

Guilherme Peixoto tem 52 anos, é natural de Guimarães, em Portugal, e é conhecido como DJ Padre Guilherme. Ele integra desde 1999 a Arquidiocese de Braga e também é capelão militar, tendo atuado em missões no Afeganistão, em 2010.

Entre as produções que publica nas redes sociais, versões de músicas seculares — como “Alors On Danse”, do cantor francês Stromae — já renderam milhões de visualizações e viralizaram na internet. Mas é na fusão entre a música católica e a eletrônica que o padre vem conquistando maior projeção e ampliando seu público.

Ele já se apresentou na Jornada Mundial da Juventude, em 2023, realizada em Portugal; também em 2025, na Catedral de Santa Isabel, na Eslováquia, onde a abertura contou com uma bênção do Papa Leão XIV, em vídeo; naquele mesmo ano esteve no Rio de Janeiro tocando em frente ao Cristo Redentor e, mais recentemente, realizou uma homenagem na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, ao Papa Francisco, por ocasião do primeiro ano de sua morte.

O gosto pela música veio cedo. Peixoto ingressou no seminário aos 13 anos e lá fazia parte de um grupo de música popular. Quando saía à noite para ir a algum bar em Guimarães, a música eletrônica já chamava sua atenção. Na faculdade, juntou-se a uma chamada “tuna acadêmica”, um grupo musical tradicional que representa a universidade em festivais, e formou uma banda de pop rock com mais quatro colegas da época do seminário.

A banda durou cinco anos e, quando estavam prestes a ser ordenados, os amigos decidiram finalizar os trabalhos musicais. Em entrevista ao site NIT, de Portugal, Peixoto comentou que a decisão veio porque pensavam que, depois de se tornarem padres, eles nunca mais poderiam estar ligados à música. “Nunca imaginei que fosse possível me tornar DJ, nem mesmo quando estava no seminário, já envolvido com música”, disse ele.

A música eletrônica ajudou a saldar dívidas de uma paróquia

Inicialmente, Peixoto ficou responsável pela paróquia de Amorim, mas logo absorveu também os cuidados na paróquia de Laúndos, também na cidade de Póvoa de Varzim. Especialmente esta última estava passando por uma série de obras e precisava arrecadar fundos para honrar os compromissos financeiros e finalizar o trabalho em andamento. 

Entre as ideias que foram colocadas em prática para obter recursos, uma foi inusitada: abrir um pequeno bar ao lado da paróquia e promover noites de karaokê. Ali nasceu, em 2006, o projeto Ar de Rock Laúndos, em funcionamento até hoje. Foi durante essa experiência com os karaokês que Peixoto começou a se interessar por mixagem e foi transformando o local com suas apresentações de música eletrônica. 

Aos poucos, Peixoto foi comprando equipamentos e, com a ajuda de vídeos no YouTube e muito estudo, foi aprendendo mais sobre a cultura da música eletrônica. À Agência Ecclesia, em 2019, ele contou que o projeto funcionou porque tinha o apoio dos fiéis: “era para a paróquia, com a paróquia. A música foi sempre o que puxou, até porque não há muitos lugares que consigam, através da música, juntar várias gerações”.

De um bar em Portugal ao mundo, por meio das redes sociais

Dívidas da paróquia todas pagas, o Ar de Rock foi mantido agora para auxiliar na reforma da igreja matriz. Aos poucos, mais pessoas foram tomando conhecimento de quem era o padre Guilherme Peixoto e do que realizava por meio da música eletrônica. Convites para festas estudantis e festivais se tornaram comuns em sua agenda.

Com a pandemia, vieram as lives feitas em casa. Pelo Facebook e pelo Instagram, sua música chegou a partes do mundo que ele jamais imaginou alcançar. “Naquela época, eu terminava as lives com algo mais voltado para o melodic techno. Cheguei a ganhar mil seguidores em uma única noite, durante uma hora e meia de música”, relatou ao site NIT. Segundo ele, a curiosidade em ver um padre especialista em techno chamava a atenção de muita gente.

Com a volta à normalidade, em 2022, convites para apresentações foram surgindo e Peixoto formou uma equipe para ajudá-lo a organizar as agendas. Ele também passou a compor, gravar e disponibilizar suas músicas aos seguidores. Para ele, suas apresentações sempre precisam levar uma mensagem de paz e alegria e sente que seu trabalho tem aproximado os jovens da igreja, até mesmo aqueles que não têm nenhuma religião.

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