
O papa Francisco criticou nesta quinta-feira o egoísmo que "escraviza" às pessoas e chamou os fiéis a aprender a reconhecer o "pão falso que ilude e corrompe".
Na homilia da missa solene celebrada por causa do Corpus Christi aos pés da Basílica de São João de Latrão, em Roma, o papa aludiu a um versículo do Deuteronômio ("O Senhor, teu Deus, (...) te alimentou com o maná, que tu não conhecias") para lembrar que o povo judeu, durante seu êxodo bíblico e após ser libertado, ansiava os alimentos que consumia no Egito "na mesa da escravidão".
Francisco advertiu que, na atualidade, algumas pessoas "se nutrem com o dinheiro, outros com o sucesso e com a vaidade, outros com o poder e com o orgulho", e correm o risco de esquecer que o único alimento que "sacia é somente aquela que nos dá o Senhor!".
Segundo o pontífice, o ser humano, além da fome física, abriga outros tipos de fome como a de vida, a de amor ou a de eternidade, que só podem ser saciadas com a espiritualidade.
"Cada um de nós, hoje, pode se perguntar: e eu? Onde quero comer? Em que mesa quero me alimentar? Na mesa do Senhor? Desejo comer comidas gostosas, mas na escravidão? Qual é minha memória? Aquela do Senhor que me salva ou a do alho e das cebolas da escravidão? Com que lembrança eu satisfaço minha alma?", perguntou Francisco.
À missa seguiu uma procissão até a Basílica de Santa Maria Maior, que o papa fez de carro.
A festividade do Corpus Christi foi instituída pelo papa Urbano IV em 1264, devido ao chamado "Milagre de Bolsena".



