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MOVIMENTO

Paraná na rota dos revolucionários

Em 1930, o Paraná e o Brasil se rendiam a Getúlio Vargas e seus comandados, que partiram do Sul rumo ao Rio para pôr fim à República Velha

  • Diego Antonelli
Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) durante sua passagem por Itararé, perto da divisa de São Paulo com o Paraná, a caminho do Rio de Janeiro |
Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) durante sua passagem por Itararé, perto da divisa de São Paulo com o Paraná, a caminho do Rio de Janeiro
 
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Paraná na rota dos revolucionários

Na madrugada de 5 de outubro, sob o comando do major Plínio Tourinho, oficiais da 5.ª Região Militar tomaram os quartéis de Curitiba. Pela manhã, Polícia Militar, bombeiros, delegados fiscais e até funcionários dos Correios já haviam aderido ao movimento. O presidente do estado, Affonso Camargo, abandonou a cidade em direção a Paranaguá. Em poucas horas, a Revolução de 1930 se instalou no Paraná e rumava para seu desfecho 20 dias depois, com Getúlio Vargas assumindo a Presidência do Brasil.

Historiador e professor da Universidade Tuiuti, Osvaldo Siqueira explica que o Paraná era uma região estratégica para o movimento. “O estado era muito importante para que as tropas revolucionárias que vinham do Rio Grande do Sul chegassem ao Rio de Janeiro, então capital federal”, afirma. Vários fatores influenciaram o início da revolução. A política café com leite (com alternância de poder entre mineiros e paulistas) tinha sido quebrada pelo então presidente Washington Luiz, que desrespeitou o acordo e indicou o também paulista Júlio Prestes para concorrer à Presidência. Segundo o acordo, teria de ser um mineiro. Com o rompimento da aliança, Minas articulou a Aliança Liberal com Rio Grande do Sul e Paraíba. Foi indicado o governador gaúcho Getúlio Vargas para presidente e o paraibano João Pessoa como vice.

No dia 1.º de março de 1930, Júlio Prestes derrotou Vargas nas urnas com uma diferença de 200 mil votos. A Aliança não queria aceitar a derrota. Pipocaram denúncias de irregularidade e trapaças – comuns na República Velha. Mas, o assassinato de João Pessoa, em julho, acendeu a chama da discórdia. Oswaldo Aranha, então secretário de governo do Rio Grande do Sul, convocou a população gaúcha a pegar em armas para evitar a posse de Prestes. Suspeitava-se que Pessoa teria sido morto por adversários políticos.

Em 3 de outubro, as Forças da Guarda Civil gaúcha junto com voluntários tomaram o quartel-general do Exército de Porto Alegre. O movimento, sincronizando, ocorreu em todo o estado. Tropas rebeldes seguiram em direção a Porto União, entre Paraná e Santa Catarina. “As tropas entraram pelo Paraná através da região que foi disputada no confronto do Contestado. Eles chegaram a Ponta Grossa e na capital derrubaram o governo vigente”, afirma Siqueira.

Depois de Ponta Grossa, os gaúchos chegaram ao Norte Pioneiro e, de Curitiba, uma das tropas seguiu para o Vale da Ribeira. Formaram-se, então, três frentes em direção a São Paulo: Vale da Ribeira, Norte Pioneiro e também uma por Sengés. Na tarde do dia 5, com o quartel de Curitiba tomado, o Paraná já tinha um governo provisório chefiado pelo general Mário Monteiro Tourinho. Ele dissolveu o congresso legislativo, cassou o mandato dos prefeitos e nomeou outros de sua confiança. Várias concessões de terra suspeitas de fraude foram consideradas nulas.

Enquanto isso, as tropas continuaram o percurso até que dia 3 de novembro Vargas assumiu o Palácio do Catete e decretou o fim da República Velha.

Passividade marcou o evento no estado

De um modo geral, a população paranaense assistiu de modo passivo à passagem da Revolução de 1930 pelo estado. Segundo o historiador e pesquisador Ângelo José da Silva, a intensidade das ações populares no Paraná foi muito menor quando comparado com outros estados. “No Nordeste do Brasil, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro houve levantes populares em favor da Revolução. Aqui, não. Foi algo mais tímido. Quem era contra Getúlio Vargas, em sua maioria, mudou de lado ou não se manifestou e quem era a favor também não se manifestou”, afirma.

Isso se deve, segundo ele, a um reflexo da importância política do Paraná durante a República Velha. “O Paraná tinha uma importância geopolítica grande, mas não no poder de decisão política. E isso se refletiu nas ações durante a Revolução de 1930. Era algo que não dizia respeito da grande parte da população”, salienta.

Interventores

Ele lembra que, ao assumir o cargo de presidente, Vargas nomeou interventores para governar os estados. “Vargas nomeava uma pessoa para o cargo, mas a partir do momento que o interventor começasse a ficar forte demais no cenário político era substituído por outro”, pontua Silva.

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