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Na pendura

PM-PR corta alimentação no refeitório

  • Felippe Aníbal
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Agentes da Polícia Militar (PM) lotados no Quartel do Comando Geral da corporação estão, há seis meses, sem poder se alimentar no refeitório da unidade. A ordem é reforçada por um ofício, afixado na entrada do rancho do quartel, que destaca que apenas policiais que atuam na guarda de presos podem comer no local. Segundo a Associação dos Praças do Paraná (Apra), o corte das refeições atinge todos os batalhões da instituição no estado.

INFOGRÁFICO: Veja o ofício que proíbe o uso do refeitório no Quartel do Comando Geral

“Os policiais cumprem escalas superiores a 12 horas, mas, ainda assim, não há comida para eles no rancho. Vão às ruas de estômago vazio. E policial sente fome”, resumiu o presidente da Apra, Orelio Fontana Neto.

Quatro policiais militares – três lotados no Quartel do Comando e um, no 13.º Batalhão – ouvidos pela Gazeta do Povo relatam que os próprios agentes têm se unido para driblar o corte da alimentação. Os praças chegam a fazer “vaquinhas” para comprar pão e manteiga, para suportar os expedientes estendidos. “Ou é trazer marmita de casa, ou é tirar dinheiro do bolso para comer”, lamentou um policial.

Em setembro de 2013, a Apra ingressou com uma ação civil pública, na 2.ª Vara de Fazenda Pública de Curitiba, com o objetivo de forçar o estado a voltar a fornecer alimentação aos PMs. O processo ainda tramita na Justiça. A Associação de Defesa dos Direitos dos Militares (Amai) aponta que, por receberem remuneração por subsídio, os policiais militares não podem ganhar benefícios extras, como vale-alimentação. Esse entrave, na avaliação da entidade, agrava o problema. “Não pode para policial, mas pode para juiz”, disse o advogado da Amai, Marinson Albuquerque.

Sem receber há meses, uma padaria suspendeu a entrega de pães à corporação. Em um ofício encaminhado à PM, o empresário justifica que o calote lhe causou “dificuldades de saldar os salários dos funcionários, o 13.º e capitalizar recursos para compra de matéria-prima”. O texto foi afixado pela polícia na porta do rancho do quartel. A instituição afirmou que só se pronunciaria hoje sobre o assunto.

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