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Guerra contra o Tráfico

Polícia do Rio ocupa o Morro da Mangueira

Operação terminou sem confrontos e reforçou a segurança da cidade para Copa do Mundo e a Olimpíada. Comunidade recebeu a 18.ª Unidade Pacificadora do estado

Sem tiros, sem baixas. O Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, foi tomado em cinco horas por cerca de 750 homens das polícias Civil e Militar, além de fuzileiros navais. Parte deles subiu a favela protegida em 14 veículos blindados, seis deles da Marinha. Não houve reação do tráfico. A favela, berço da Estação Primeira de Mangueira, é a 18.ª a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora no estado (UPP).

O morro fica a 2 km do Estádio do Maracanã e a ocupação fechou o cinturão de segurança na região para a Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Desde maio, quando o governo do Rio anunciou a nova UPP, os moradores relataram que as principais lideranças do tráfico deixaram a favela.

A operação começou às 6 horas, antes de o dia amanhecer. Quatro helicópteros, dois deles blindados, sobrevoaram o morro e transmitiram imagens da favela para o centro de comando, montado na 111.ª Companhia de Apoio de Material Bélico, do Exército. Em seguida, os blindados subiram por diferentes acessos da Mangueira. Às 11 horas, sem grande comemoração, as bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro foram hasteadas no alto da Caixa D’Água, no Morro dos Telégrafos, uma das favelas que compõem o Complexo da Mangueira. Os moradores assistiram à cena sem esboçar reação. Dois helicópteros sobrevoaram o local e lançaram milhares de panfletos, numa "ação psicológica", pedindo a ajuda da população para localizar criminosos foragidos e o paiol do tráfico. "A sua comunidade está sendo pacificada. Ajude o Bope a ajudar você".

Na entrada do Buraco Quente, onde funcionava a principal boca de fumo, moradores estenderam um pano branco com a palavra "paz".

"Dificilmente as instituições policiais entravam numa área dessas sem haver troca de tiros. Hoje se conseguiu isso sem disparar um tiro, sem ferir ninguém. A polícia chega mais uma vez para ficar", afirmou o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Ele defendeu a estratégia de "guerra anunciada", em que a ocupação tem hora marcada para começar. "Hoje [ontem] foi devolvido um território para 20 mil pessoas. Essa é uma vitória. A saída dessas pessoas [traficantes] as deixa vulneráveis, porque o espaço de atuação diminui e elas saem das áreas onde tinham domínio."

GPS

Pela primeira vez, policiais levaram rádios transmissores com GPS. O aparelho dava a localização exata da tropa e transmitia a informação em tempo real para o centro de comando. O dispositivo permite deslocar as equipes com maior precisão e facilita a apuração de possíveis desvios de conduta, como ocorreu no Complexo do Alemão, quando poli­­ciais saquearam casas de moradores.

Outra novidade foi que a PM ocupou redutos do Comando Ver­melho em outros pontos da cidade, como forma de evitar possíveis reações pela operação na Mangueira. Também foi a primeira vez que defensores públicos acompanharam a abordagem do Batalhão de Operações Especiais (Bope), a fim de garantir os direitos dos moradores. Até mesmo a revista das casas teve de ser autorizada. "A abordagem foi feita com respeito. A entrada nas casas também foi feita com observância de requisitos legais", afirmou o defensor Luís Felipe Drummond.

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