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O coronel Péricles de Matos orienta o policiamento com base no mapa de assaltos | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
O coronel Péricles de Matos orienta o policiamento com base no mapa de assaltos| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Assaltos

Farmácias e postos de combustíveis são os principais alvos

A polícia e a Associação Comercial do Paraná (ACP) estimam que os principais alvos dos assaltantes sejam as farmácias e os postos de combustíveis. Alguns detalhes na organização física dos estabelecimentos – como a proximidade dos caixas da saída – chamam a atenção dos bandidos e contribuem para que os crimes sejam consumados.

As lojas de eletrodomésticos também têm engordado as estatísticas, principalmente em razão de um produto específico: o celular. Nos balcões que geralmente ficam na entrada das unidades, ladrões se passam por clientes. Quando o atendente começa a mostrar os aparelhos, o bandido anuncia o roubo.

Segundo o coronel Péricles de Matos, a análise dos casos permite traçar um perfil dos ladrões: em geral, são homens e usuários de drogas. "A maior parte desses roubos é feita por dependentes químicos. Levam, em média, R$ 40 ou R$ 50 por assalto, para comprar droga, geralmente próximo dali", explica o subcomandante.

A ACP garante que os empresários devem manter um canal aberto com as forças de segurança, principalmente para colaborar com as investigações. Segundo o delegado Rodrigo Souza, chefe da DFR, um dos principais entraves à atuação da polícia ainda é a conduta dos próprios empresários, que relutam em registrar os casos e repassar imagens de câmeras de segurança. "Todas as informações, do depoimento das vítimas às filmagens, são importantes para a solução dos casos e para apurarmos se foi um fato isolado ou ação de quadrilha. Quanto mais rápido tivermos essas informações, maiores as chances", conclui.

A balconista, de 24 anos, não consegue esquecer os instantes em que ficou sob a mira de um revólver durante um assalto à farmácia onde trabalha. O crime aconteceu em março, no Alto da XV, em Curitiba. Ainda traumatizada, ela pede para não ter o nome revelado. "A gente se sente muito impotente", desabafa. No ano passado, o número de roubos contra o comércio aumentou 7,1% na Região Metropolitana de Curitiba, com o registro de quase 8,2 mil ocorrências. Por causa disso, empresários e forças de segurança começaram, neste mês, a delinear um esforço de enfrentamento a esse tipo de crime.

INFOGRÁFICO: Veja o número de assaltos em Curitiba

"A ideia é trazermos os empresários para este processo e construirmos soluções conjuntas", sintetiza o coronel Péricles de Matos, subcomandante da Polícia Militar (PM). A cada 15 dias, lojistas e empresários se reunirão para avaliar e definir estratégias.

A PM vai atualizar o mapa com os pontos que sofreram assaltos praticamente em tempo real. O estudo vai nortear o deslocamento de viaturas e o policiamento ostensivo, além de ajudar a Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) a identificar a atuação de quadrilhas. Com base nessa análise, no último fim de semana quatro acusados de cometerem assaltos no Centro da capital foram presos.

Paralelamente, os empresários devem repassar os dados à polícia com mais agilidade e colaborar de forma mais efetiva com as investigações. A sensação dos empresários é de que o volume de assaltos esteja 20% maior em relação a 2013. Mas, ainda hoje, muitos casos nem sequer são registrados, porque as lojas temem a repercussão negativa da divulgação dos casos ou não acreditam que os crimes possam ser solucionados.

Um levantamento feito por cinco redes do comércio varejista (farmácia, mercado e eletrodomésticos) que, juntas, somam 800 lojas, indica que o prejuízo causado por furtos e assaltos sofridos ao longo do ano passado chegou a R$ 2,3 milhões, pouco mais de 30% do faturamento das empresas. "Com essa ação conjunta, esperamos resultados o mais rápido possível. Em 30 ou 60 dias, já devemos ter uma redução dos assaltos", estima o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Antonio Espolador.

O número de ocorrências, no entanto, continua subindo. Em abril deste ano, uma rede de farmácias contabilizou 152 assaltos em suas unidades. Já uma rede varejista também registra uma série de casos. Uma de suas lojas, em Colombo, na Grande Curitiba, foi roubada três vezes em menos de 20 dias. "[A situação] está prestes a fugir do controle. Você ainda consegue controlar o clima de insegurança entre os funcionários, mas daqui a pouco já não sei", alerta o gerente da rede, que também pediu para não ser identificado.

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