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Falsas remessas somariam US$ 37 milhões

A segunda investigada pela PF é a Labogen, que importa produtos químicos para a indústria farmacêutica. A empresa teria feito remessas de US$ 37 milhões por meio de importações simuladas, segundo as investigações. A empresa já firmou dois convênios com o Ministério da Saúde, com vigência entre 2000 e 2001, para cooperação técnica para o desenvolvimento de fármacos anti-Aids. O primeiro foi em julho de 2000, no valor de R$ 18,080 milhões. O segundo, em agosto do mesmo ano, de R$ 12,1 milhões. Estão presos três envolvidos com o setor farmacêutico: Leonardo Meirelles e Esdra Arantes Ferreira, da Labogen, e Pedro Argese Junior, da Piroquimica Comercial.

Em 2011, a Labogen não tinha dinheiro para pagar credores e a Justiça chegou à conclusão de que a empresa não podia ser localizada em nenhum dos endereços fornecidos. A decisão do juiz foi desconsiderar que a dívida era da Labogen e tornar os sócios Leonardo Meirelles e Esdra Arantes Ferreira os responsáveis, respondendo com seus bens pessoais. A ação está em curso.

Outro detido, Luccas Pace Junior, também é dono de uma empresa de importação, a Camargo Pace Logística Importação e Importação. Em 2010, a empresa foi punida pelo Banco Central com multa de US$ 200,5 mil por declarações falsas em contrato de câmbio. Os advogados dos acusados negam as irregularidades dos seus clientes.

A operação Lava-Jato deve revelar uma nova modalidade de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em curso no Brasil: a importação fraudulenta. A Polícia Federal (PF) suspeita de que doleiros estão utilizando empresas de comércio exterior para operações ilegais. Quatro deles tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e seguem detidos na carceragem da PF em Curitiba. Entre eles está Alberto Youssef, flagrado nas investigações do Banestado, no início dos anos 2000, e beneficiado por um acordo de delação premiada.

Três empresas que operam com comércio exterior e tiveram negócios com Youssef estão sendo investigadas. Uma delas é a Sanko Sider Comércio Importação e Exportação de Produtos, que importa tubulações para refinarias, usinas de energia e obras de saneamento básico. Seu sócio, Márcio Bonilho, é investigado por corrupção ativa desde 2008, quando foi flagrado pela operação João de Barro da PF. Segundo as investigações, um gerente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasp) teria atuado como "representante comercial" da Sanko junto a empresas que executavam obras públicas.

A Sanko Sider forneceu tubos para um trecho de 28 km da adutora do São Francisco, em Sergipe, obra do PAC orçada em R$ 114,9 milhões.

Na Operação Lava-Jato, a suspeita é que a Sanko tenha sido usada para repassar dinheiro ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, tendo como intermediário o doleiro Youssef. Num processo envolvendo a alfândega, a Sanko informou à Justiça que importou produtos da Petroleum Services, com sede no Kuwait, para atender o consórcio responsável pelas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Costa era o responsável por fiscalizar a execução da obra, que na fase de terraplanagem sofreu superfaturamento de R$ 70 milhões.

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