Os dois policiais que atiraram contra assaltantes de uma lanchonete e cujos disparos resultaram na morte de Bárbara Silveira Alves, 16 anos, em Curitiba, não trabalham na área operacional da Polícia Militar, ou seja, não estão habituados ao trabalho nas ruas, de enfrentamento de criminosos, segundo informações do advogado de defesa deles. Os tiros foram disparados por dois PMs do sexo masculino. Uma policial feminina, que também participou da ação é da área operacional, mas a arma dela teria falhado durante o suposto confronto com os assaltantes.

Ontem, os três policiais – que são da mesma família e estavam de folga no dia do incidente, participando de um almoço com outros parentes –, prestaram depoimento no 4.° Distrito Policial. Segundo o advogado dos policiais, Gustavo Hassumi, o PM que deu o tiro que atingiu Bárbara está há 13 anos na corporação. Os outros dois estão na PM há cerca de quatro anos.

Hassumi reiterou a versão dos policiais de que os suspeitos do assalto começaram a atirar antes da reação dos PMs. "No campo de visão deles e pelo treinamento que tiveram, eles sentiram que a oportunidade existia", explica. O advogado ainda acrescenta que os três não viram a menina passar pelo local no momento dos disparos. "Ela provavelmente estava atrás de uma moto que estava no campo de visão deles. No começo, ninguém a vê caída. A policial feminina a viu e deu os primeiros socorros." Segundo o advogado, os policiais ainda estão abalados com a situação e permanecem afastados pelo comando da PM.

De acordo com o delegado Jairo Estorilio, do 4.° DP, o inquérito está perto de ser encerrado. "Falta o laudo de levantamento de local – que atesta se houve troca de tiros. Pelo que temos até agora, não há dúvidas que foi um homicídio culposo [sem intenção de matar]", diz. Até o início da segunda semana de novembro, o inquérito deverá ser encaminhado ao Ministério Público do Paraná.

Apoio

Quase um mês após a morte de Bárbara, a mãe da adolescente, Giovana Maria da Silveira Alves, conta com o apoio de amigos e familiares para se recompor da perda da filha. Ela diz que espera uma resposta das autoridades sobre os culpados pelo tiro que vitimou Bárbara. "Através desse apoio que eu recebo todos os dias, desde que aconteceu isso, tenho mensagens de carinho e força para estar bem. Bem em termos de conseguir levar meu dia a dia e procurar resolver tudo isso", conta Giovana, que prestou depoimento na última quarta-feira.

Ela soube que a filha tinha sido baleada por meio de uma colega de trabalho, que é irmã de uma amiga de Bárbara. A adolescente foi baleada em frente à residência das duas irmãs.

Desde a morte da menina, Giovana tem acompanhado os dois inquéritos – um na Polícia Militar e outro na Polícia Civil. Giovana considera a atitude dos policiais "completamente descontrolada". "Sobre os policiais eu não tenho nada a declarar. Não conheço e não quero conhecê-los. Se for culpa deles, que sejam julgados. Eu acredito muito na justiça divina. Eu espero que no final haja uma resposta sobre o que aconteceu com a Bárbara."

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