
Neste 23 de julho de 2026, pesquisadores renomados propõem que o autismo nível 1 deixe de integrar o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O debate surge porque a categoria atual reúne perfis tão distintos que o conceito de espectro pode ter perdido sua utilidade para a ciência e o suporte clínico.
Qual é a principal justificativa para essa mudança?
Especialistas argumentam que o diagnóstico de TEA tornou-se abrangente demais. Hoje, ele inclui desde pessoas totalmente independentes, como Elon Musk, até indivíduos com comprometimentos severos que não falam e precisam de ajuda constante. Para pesquisadores como a psicóloga Dame Uta Frith, não existe mais um denominador comum que justifique manter todos sob o mesmo guarda-chuva, o que acaba prejudicando a precisão científica e o atendimento clínico.
O que mudou na forma como o autismo foi classificado ao longo do tempo?
Antigamente, as categorias eram separadas. Até os anos 1990, existiam diagnósticos distintos como a Síndrome de Asperger. Em 2013, o manual internacional de doenças mentais (DSM-5) unificou tudo no Transtorno do Espectro Autista, dividindo os casos apenas por níveis de suporte (1, 2 e 3). Agora, o movimento é inverso: parte da comunidade científica acredita que essa unificação apagou diferenças importantes entre os grupos e que o nível 1 deve ter um nome próprio.
Como funcionariam os novos diagnósticos na prática?
Ainda não há um nome definitivo, mas as sugestões incluem termos como 'personalidade autística'. A ideia é que indivíduos com características mais leves, que muitas vezes são confundidas com variantes de personalidade funcionais, não sejam 'patologizados' da mesma forma que casos graves. Isso permitiria que as pesquisas e recursos fossem focados com mais clareza em quem possui deficiência intelectual e necessita de apoio intensivo.
Quando essa alteração deve acontecer oficialmente?
A mudança depende da atualização do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), que é a 'bíblia' da psiquiatria mundial. Embora ainda não exista um cronograma oficial da associação americana responsável, a expectativa de especialistas na área é que uma nova edição do manual seja publicada apenas entre 2029 e 2030. Até lá, o debate segue em congressos e publicações científicas.
Quais são os possíveis impactos dessa decisão no Brasil?
A discussão gera preocupação devido aos direitos garantidos por lei. Atualmente, brasileiros diagnosticados com TEA são considerados pessoas com deficiência e possuem direitos como inclusão escolar e reserva de vagas. Se o autismo nível 1 receber uma nova classificação que não o identifique como deficiência, há dúvidas sobre como ficarão esses benefícios sociais e jurídicos, o que torna o consenso sobre a mudança ainda mais difícil de ser alcançado.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.




