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Operação Polegar

Presos 41 suspeitos de tráfico que tinham "proteção policial"

Operação dá continuidade à ação, iniciada em março, que culminou na prisão de diversos policiais da Delegacia de Alto Maracanã

Polícia apreendeu armas, drogas e dinheiro com integrantes da quadrilha | Hedeson Alves - Gazeta do Povo
Polícia apreendeu armas, drogas e dinheiro com integrantes da quadrilha (Foto: Hedeson Alves - Gazeta do Povo)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP), prendeu 41 pessoas em Curitiba, região metropolitana e no litoral do estado, nesta quinta-feira (7). Os detidos são suspeitos de tráfico de drogas, extorsão e roubo. De acordo com o MP, a Operação Polegar, como foi batizada, dá continuidade à ação iniciada em março deste ano, que culminou na prisão de diversos policiais lotados na Delegacia de Alto Maracanã, em Colombo.

Os presos, segundo o Gaeco, seriam integrantes de uma quadrilha que dominava o tráfico mediante ações violentas. O grupo atuava em Colombo, Pinhais, Piraquara, Matinhos e Pontal do Paraná, além da capital. Durante a operação foram apreendidos sete carros, três motos, 13 armas e R$ 15 mil em dinheiro. Com os detidos foram encontrados 3,8 quilos de cocaína e meio quilo de maconha.

Entre os detidos estão Alexandre Boni do Nascimento, 27 anos, e João Maria Costa, 53, chamado de Doutor. As investigações apontaram que os dois eram grandes fornecedores de drogas que agiam em Curitiba. Costa foi preso em uma mansão, com vários carros de luxo na garagem, no bairro Jardim das Américas. De acordo com o MP, partia dele as ordens para a soltura de traficantes presos na delegacia do Alto Maracanã.

Para o coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, os objetivos da ação foram cumpridos. "A ação foi complemento às investigações e visava aqueles que eram beneficiários das ilegalidades que eram praticadas no interior da delegacia de Alto Maracanã."

Participaram da operação a Polícia Militar (PM), a Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). "Na primeira operação, como em todos os casos de corrupção, agimos com todo rigor para prender os policiais que agiam como bandidos. Nessa etapa chegamos aos marginais que eram beneficiados pelo esquema", disse o secretário da Segurança Luiz Fernando Delazari.

Os detidos vão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo. A polícia tem mandado de prisão contra seis pessoas, que ainda estão sendo procuradas.

Esquema

De acordo com a investigação do Ministério Público, uma suposta quadrilha, formada pela delegada-titular Márcia Rejane Vieira Marcondes, pelo superintendente José Antônio Braga, escrivães e investigadores lotados na delegacia, advogados e outras pessoas ligadas ao grupo, estaria extorquindo dinheiro de pessoas que eram detidas pelos próprios policiais da unidade, na maioria das vezes traficantes. No dia 17 de março deste ano foram presos dez policiais civis, dois advogados, um funcionário da Prefeitura de Colombo e outras pessoas ligadas ao grupo.

Segundo a investigação do MP, investigadores e pessoas ligados ao grupo identificavam e conduziam criminosos à delegacia. A partir daí, o criminoso era mantido preso ilegalmente, enquanto entravam em cena advogado, escrivão e o superintendente, exigindo dinheiro de familiares do preso ou do chefe do tráfico na região.

Segundo informações do Ministério Público, em alguns casos o dinheiro pedido pela quadrilha para liberação de um preso chegou aos R$ 30 mil. A maioria dos detidos foi solta no início da noite do dia 30. Apenas três dos detidos permanecem presos. O restante responderá o processo em liberdade.

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