Para refrescar o calor, meninos mergulham na fonte da Praça Osório, região central de Curitiba| Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo

Moradores de Curitiba que estranharam o calor atípico para a cidade não estavam exagerando: a anomalia climática registrada na capital paranaense foi de 2,6 °C maior do que a média. Isso significa que janeiro de 2015 bateu o recorde de todos os meses de janeiro desde 1997, subindo de 27 °C para 29,6 °C na média.

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O mesmo fenômeno climático foi verificado em cidades como Londrina, no Norte, cuja máxima média de janeiro era de 29,8 °C e, dessa vez, chegou a 32,1° C; ou Paranaguá, que viu os termômetros subirem 1,7 °C nesse verão em relação à máxima média histórica, indo de 31,3 °C para 33 °C. Mas o recorde foi batido por Cambará, município localizado no Norte Pioneiro. Por lá, onde a temperatura máxima média era de 30,9 °C, os termômetros registraram 35,4 °C no primeiro mês do ano. O meteorologista Reinaldo Kneib explica que o fenômeno ocorre porque as massas de ar quente típicas da estação estão atuando por mais tempo, ou seja, têm durado mais. "Isso ocorre com maior intensidade no Sudeste, por isso as regiões Norte e Leste do Paraná registram temperaturas mais altas do que as demais regiões. Mas não há uma explicação definitiva para esse fenômeno. Ele já ocorreu no ano passado, porém, pode não se repetir no próximo ano."

Calor generalizado

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De acordo com boletim do Simepar, no período de 15 a 31 de janeiro, as temperaturas máximas ultrapassaram os 30 °C nas regiões Oeste, Norte, Centro-Oeste e Leste. "Em grande parte das regiões do Paraná as temperaturas máximas médias ficaram acima da média histórica", diz o relatório. No mesmo período, as temperaturas mínimas ficaram acima da média histórica de 17 °C. Apenas no Sul e Região Central do estado os termômetros marcaram temperaturas mais amenas.

As altas temperaturas, no entanto, não são tão surpreendentes: o mesmo fenômeno foi verificado já no início de 2014, ano tido como o mais quente dos últimos cinco anos em Curitiba e Região Metropolitana (RMC), segundo o Simepar. Entre 1997 e 2014, período ao longo do qual as estações meteorológicas automáticas foram instaladas, dois anos destacaram-se por apresentar as temperaturas médias mensais mais elevadas na RMC – 2002 e 2014.

Já 2015 começou com temperaturas médias ainda mais elevadas do que as registradas no mês de janeiro em 2002 e 2014. As temperaturas registradas no primeiro mês do ano superaram as médias verificadas no mesmo período nos últimos 17 anos.

A semana entre os dias 14 e 20 foi a mais quente. Em Antonina, os termômetros chegaram a marcar 41,1 °C no dia 17, e 38,3 °C no dia seguinte. Para entender melhor a intensidade do calor que atingiu a região litorânea: a temperatura máxima média para janeiro era de 31,1 °C, já a máxima média verificada até o dia 15 de janeiro de 2015 foi de 34,6 °C, ou seja, 3,5 °C superior.

Causas

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"A elevação das temperaturas pode ser observada de forma gradual e global. De maneira geral, o Paraná tem acompanhado a evolução climática verificada nas regiões Sudeste e Sul, onde todos os estados apresentam aumento de temperatura", explica o meteorologista Cezar Duquia. Ainda não há certeza quanto às causas dessa elevação geral de temperatura.

Segundo Duquia, os estudos científicos que dão conta de estudar as causas do aquecimento não são taxativos, apenas levantam hipóteses, como o aumento no número de queimadas, de emissão de CO2, ou explosões solares.