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Tráfico de entorpecentes

Produção e consumo de drogas sintéticas se globalizam

Relatório da ONU revela que, somente na Europa, foram identificadas 73 novas substâncias em 2012, uma a cada cinco dias

Laboratório encontrado na Europa: pequeno e fácil de esconder | Divulgação/Europol
Laboratório encontrado na Europa: pequeno e fácil de esconder (Foto: Divulgação/Europol)

Substâncias sintéticas, produzidas em laboratórios improvisados, passaram a rivalizar com as drogas tradicionais na lista de preocupações das autoridades que lidam com o problema. Um relatório recente do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) mostra que a produção e o tráfico desses entorpecentes se globalizaram nos últimos quatro anos e eles passaram a ser detectados em cada vez mais países, inclusive no Brasil. Somente em 2012, as autoridades da Europa, onde o consumo é mais comum, identificaram 73 substâncias pela primeira vez. É como se aparecesse uma nova droga a cada cinco dias.

INFOGRÁFICO: Veja quais são as novas substâncias psicoativas e de onde elas vêm

O crescimento do mercado de drogas sintéticas é global e se acelerou de 2008 para cá. Entre 2009 e 2011, autoridades de 42 países relataram o aparecimento de 179 novas substâncias (uma a cada seis dias). No fim do primeiro semestre de 2012, quando o Unodc fechou a conta de seu relatório anual, esses países já haviam identificado 251 novas drogas produzidas em laboratório. É possível que o volume seja ainda maior, já que 70 dos 80 países que participam do levantamento confirmaram o surgimento de alguma substância até julho de 2012, mas nem todos enviaram dados sobre suas características químicas.

O número de new psychoactive substances (novas substâncias psicoativas, NPS na sigla em inglês) excede a quantidade de substâncias controladas pelas atuais convenções internacionais, uma lista de 234 drogas. Chamadas também de "legal highs", "designer drugs" e "sais de banho", essas drogas são de combate difícil. Ao contrário da maconha e da pasta de coca, por exemplo, que exigem a manipulação de grandes quantidades, qualquer cômodo é suficiente para a fabricação das NPS.

Em meio a uma gama extensa de substâncias, duas das principais drogas "modernas" são as canabinoides sintéticas, conhecidas como spice, que tentam imitar os efeitos da maconha, e a mefedrona, ou miau-miaus, que são estimulantes.

Desafio

O maior desafio no combate a essas drogas é que elas não são facilmente identificadas, não estão catalogadas e não são controladas adequadamente pelo sistema internacional de combate. "O obstáculo está na hora de fazer laudos (periciais) de constatação, que são baseados em reagentes", explica o delegado Marco Smith, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal no Paraná.

O titular da Divisão de Narcóticos da Polícia Civil do Paraná, delegado Riad Farhat, explica que a polícia investiga o traficante, sobretudo. "Durante as investigações, por exemplo, os traficantes nunca chamam a droga pelo nome. Quando a droga é apreendida é que vamos verificar qual é", afirma. Se não for uma substância conhecida, Farhat explica que a perícia identifica. "Dificilmente um policial consegue identificar os comprimidos", comenta.

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