Um professor de crossfit suspeito de três homicídios e uma tentativa de homicídio foi preso nessa segunda-feira (27) pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Curitiba. Todos os crimes envolviam garotas de programa e transexuais. Ele foi indiciado por homicídio qualificado, mas, se comprovado que roubava as vítimas, pode ser julgado por latrocínio.

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Para a polícia, não está descartada a hipótese de que existam outras garotas de programa mortas pelo suspeito. O homem, de 31 anos, não seguia um padrão: as vítimas têm perfis e idades variadas e os peritos tinham dificuldade em determinar a causa da morte. Em comum, apenas o fato de elas serem encontradas amarradas nos locais do crime.

A delegada Ana Cláudia Machado, responsável pelo caso, explicou que apesar da falta de padrão, o suspeito começou a deixar vestígios. “Ele usava sempre a mesma tática, conhecida como ‘mata leão’, mas em dois casos deixou uma toalha amarrada ao pescoço das vítimas”, contou. Além disso, o homem apareceu em imagens de câmeras de segurança deixando os locais em que as mulheres foram mortas. Seu perfil tamb[em combinava com o retrato falado feito por uma transexual que sobreviveu a um ataque.

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As vítimas

A primeira morte atribuída ao suspeito foi a de uma transexual de 28 anos, que morava sozinha em um prédio na Rua Bruno Filgueira, quase esquina com a Rua Martim Afonso, no Bigorrilho. Conhecida como “Taís”, ela foi encontrada no dia 16 de março, depois que vizinhos sentiram forte cheiro vindo do apartamento. A vítima estava nua, sobre a cama, amarrada pelos pés e pelas mãos, em adiantado estado de decomposição.

Quatro dias depois, no dia 21 de março, Jaqueline Coutrin de Souza, de 42 anos, foi encontrada morta num edifício na Rua Nilo Peçanha, conhecido como ponto de encontro para clientes. Ela estava totalmente nua, com os joelhos no chão e o rosto apoiado na cama, de costas. A suspeita de que o assassino das duas mulheres poderia ser o mesmo surgiu porque as chaves do apartamento, nos dois casos, foram levadas.

Quase um mês depois, no dia 19 de abril, Milena de Paula Rabelo, de 36 anos, conhecida como “Mel”, foi encontrada morta em cima da cama, nua, mas com uma toalha enrolada no pescoço. O crime ocorreu em um edifício na Rua Marechal Deodoro, no Centro.

O suspeito não contava que as câmeras de segurança registraram a entrada e saída dos locais dos crimes. Além disso, uma quarta vítima sobreviveu ao ataque e auxiliou os policiais.

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No dia 24 de abril, ele chamou a transexual Camilly, de 22 anos, para um programa. O encontro, marcado via whatsapp, aconteceu como qualquer outro, mas o assassino agiu depois do ato sexual. “Ele foi extremamente carinhoso, não demonstrou nada, a não ser um pouco de ansiedade. Assim que terminamos, ele não quis tomar banho, me deu um beijo, conversamos um pouco. Ele me abraçou por trás e me deu um ‘mata leão’, que me fez apagar”, disse a jovem.

O homem acreditou que a transexual estava morta, roubou os seus pertences, a trancou no quarto e fugiu. “Acordei um tempo depois, muito machucada, com uma toalha no meu pescoço”, contou a garota. Ela diz que o suspeito também levou cerca de R$ 1,5 mil que estavam com ela.

Prisão

Com a descrição do suspeito e imagens das câmeras de segurança, Camilly reconheceu o homem. Os policiais da DHPP obtiveram um mandado de busca par a casa do rapaz. No local, encontraram diversos objetos que pertenciam às garotas. “Encontramos também uma camiseta que ele aparece usando em uma das imagens e os objetos usados para os crimes, como um pedaço de corda que foi usado para amarrar uma das vítimas pelo pescoço”, disse a delegada Ana Cláudia.

O homem admitiu que era ele mesmo nas imagens das câmeras de segurança e revelou aos policiais que aplicava o “mata leão” nas mulheres para roubá-las. Segundo a polícia, ele alegou dificuldades financeiras para cometer os crimes, mas afirmou não saber que havia matado as mulheres. O suspeito alega que elas ainda respiravam quando ele deixava os quartos.

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A DHPP usou ainda as investigações do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), que investiga os contatos virtuais entre o suspeito e as vítimas. Todos os objetos encontrados na casa do homem foram apreendidos e serão periciados.