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Manifestação de moradores da Vila Torres, no cruzamento da Avenida das Torres com a Rua Guabirotuba | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Manifestação de moradores da Vila Torres, no cruzamento da Avenida das Torres com a Rua Guabirotuba| Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

Coronel garante que André se envolveu em confronto

O comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto Bührer Moreira, garante que o estudante André Santos das Neves, 21 anos, envolveu-se em confronto com policiais da Rotam na madrugada em que foi morto, na última quinta-feira. "Pode ter certeza que o embate ocorreu. Inclusive, o rapaz foi levado com vida para o hospital", assegura o oficial.

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  • Confira a extensão dos congestionamentos causados pelo bloqueio da avenida

Moradores da Vila Torres, em Curitiba, bloquearam ontem, no fim da tarde, o trânsito da Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres) em protesto contra supostos abusos cometidos por policiais militares no bairro. Entre as ruas Brasílio Itiberê e Guabirotuba, o trânsito ficou parado por duas horas e meia no horário de rush: das 16h30 às 19 horas. O trânsito da região central e dos bairros próximos à Vila Torres sentiu o efeito do protesto. O engarrafamento chegava à altura da Avenida Afonso Camargo, no Centro.

Carros que furavam o bloqueio chegaram a ser agredidos pelos moradores com chutes. Um Passat, que por pouco não atropelou os manifestantes, foi apedrejado, tendo um dos vidros laterais quebrado. Os motoristas que trafegavam no sentido Centro tiveram de fazer o retorno, passando pelo canteiro central da Avenida das Torres.

Os moradores exigiam a presença do comandante do 12º Batalhão, coronel Carlos Alberto Bührer de Moreira. A intenção era relatar a ele os supostos abusos que vêm ocorrendo na vila. Entretanto, apenas três carros com seis policiais do Batalhão de Trânsito foram ao local.

O protesto foi motivado após a morte do estudante André Santos das Neves, da 21 anos, na madrugada de quinta-feira. A família e moradores acusam policiais da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) do 12º Batalhão de invadirem sem mandado judicial a casa onde ele morava e de tê-lo exterminado com quatro tiros no local. No velório quinta-feira, havia marcas de sangue nos cômodos da casa — a família afirma que após ter sido ferido, André foi arrastado até a rua — e uma marca de sapato na porta — o que indicaria que a casa foi arrombada.

Na versão relatada pelos policiais aos seus superiores, André teria reagido com um tiro de escopeta a uma abordagem dos policiais na rua, morrendo no confronto. Além da escopeta, os policiais dizem ter encontrado com o rapaz uma metralhadora, 80 munições, 50 pedras de crack e buchas de maconha. Ontem um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para averiguar as condições em que André morreu. Além disso, duas equipes do Serviço Reservado (P2) investigam se houve abuso.

No protesto, moradores disseram que os abusos, em especial por parte dos policiais da Rotam e da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), são freqüentes. Segundo os moradores, os policiais militares invadem residências, agridem as pessoas (incluíndo mulheres e crianças) e chegam a extorquir os moradores. "Primeiro eles dão tapa na nossa cara sem perguntar nada. Depois, levam o que a gente tiver, nem que seja R$ 10", comenta um morador que prefere não ser identificado.

Outro morador, que também prefere não ter o nome revelado, afirma ter sido agredido com um tapa na cara por policiais da Rotam semana passada enquanto esperava a esposa em frente de casa. "É muito humilhante", denuncia. "Você se sente o último dos seres humanos porque não pode reagir. Simplesmente entrei para casa chorando de raiva. Ao contrário dos outros lugares, aqui na Vila Torres, quando você chega em casa, não tem de ficar atento se tem bandido. Tem que ficar atento se tem polícia. Porque, se tiver, você vai apanhar sem motivo."

Outro morador, que trabalha como ajudante de motorista no período noturno, diz ter sido agredido essa semana quando voltava do trabalho de madrugada. "Eu estava de uniforme, falei que era trabalhador e mesmo assim eles me deram tapas e me chutaram ao me revistar", aponta.

Os moradores prometem bloquear novamente a Avenida das Torres nos próximos dias. Mais especificamente na próxima quinta-feira, quando a morte de André completa uma semana.

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