Cataratas do Iguaçu, uma das maravilhas do mundo | Aniela Nascimento / Gazeta do Povo
Cataratas do Iguaçu, uma das maravilhas do mundo| Foto: Aniela Nascimento / Gazeta do Povo

Sem erosão

A importância da mata ciliar

Para preservar os rios, uma das ações vitais é a conservação da mata ciliar, vegetação das margens. É ela que evita o processo de erosão do solo, já que parte da água que escoa das chuvas é retida pelas raízes. A mata ciliar também ajuda a manter a flora e a fauna que habitam estas áreas, contribuindo para evitar o desaparecimento de espécies. A biodiversidade também está presente nos rios. Eles abrigam milhares de espécies, desde a grande diversidade de peixes até as diversas e coloridas macrófitas (vegetais), podendo até formar distintos hábitats que proporcionam a existência de outros organismos.

11 em 1

Para que serve um rio:

- Preservação das espécies

- Proteção das espécies

- Natação

- Aquicultura

- Abastecimento

- Esportes

- Pesca

- Irrigação

- Matar a sede de animais

- Navegação

- Paisagismo

  • Represa do Iraí: água para consumo
  • Pesca artesanal: fonte de renda, subsistência e lazer
  • Iguaçu, perto de Curitiba e região, é um dos rios mais poluídos do país
  • Irrigação, em Itumbiara
  • Hidrelétrica de Itaipu: fonte limpa de energia
  • Rios também proporcionam lazer, como a canoagem

A Política Nacional de Recursos Hídricos estabelece como um de seus fundamentos uma gestão que proporcione o uso múltiplo das águas, assim, a Gazeta do Povo celebra a data de hoje, quando se comemora estadualmente o Dia do Rio, com informações sobre os diversos usos da água. No Brasil é adotado o enquadramento por classes de qualidade. Os vários usos têm diferentes requisitos de qualidade. Ou seja, para se preservar as comunidades aquáticas é necessária uma água com certo nível de oxigênio dissolvido, determinado índice de temperatura, pH, nutrientes, entre outros. Para a navegação, por exemplo, os requisitos de qualidade da água são bem menores, mas é importante que não existam materiais flutuantes e sedimentáveis que causam assoreamento do corpo d’água. De uma forma ou de outra, os usos das águas são condicionados por sua qualidade ou suas condições físicas.Entre os 11 usos estipulados para a água doce, apenas a na­­vegação e a harmonia paisagística permitem índice de poluição maiores. Isso significa que quanto mais poluído o rio, menos utilidade ele tem. A in­­dustrialização e o crescimento de centros urbanos são apontados como os principais responsáveis pela poluição dos rios, seja através dos esgotos despejados diretamente neles, dos dejetos químicos de grandes indústrias ou até mesmo dos detritos das populações que moram em seus entornos, alterando a qualidade e a composição da água e prejudicando os organismos que de­­pendem do ambiente saudável para viver.

"Em nossa rotina não percebemos e não temos ideia da importância dos nossos rios e os tratamos como esgoto", diz a professora do mestrado de Gestão Ambiental da Univer­si­dade Positivo, Selma Aparecida Cubas. Um dos exemplos citados por ela é o do Rio Iguaçu, que nasce próximo da Serra do Mar, na junção dos dois rios Ivaí e Palmital, no limite dos municípios de Pinhais, São José dos Pinhais e Curitiba, onde torna-se um dos rios mais poluídos do país. Depois, o rio percorre 1.320 quilômetros no sentido Leste-Oeste, se transforma em uma das maravilhas do mundo, as Cataratas do Iguaçu, e segue seu rumo até sua foz, quando encontra o Rio Paraná.

O Rio Paraná, por sua vez, é uma das três grandes unidades hidrográficas, e junto com o Amazonas e São Francisco, concentra cerca de 80% da produção hídrica do país. Estas bacias cobrem cerca de 72% do território brasileiro e fazem do Brasil o país com maior disponibilidade hídrica do planeta, ou seja, 13,8% do débito fluvial médio mundial. "Cada um tem o seu papel. Precisamos voltar a ter harmonia com a natureza e a água é tudo", diz Selma, que também é diretora da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária.

Sociedade tem de participar de conservação

A participação da sociedade é um dos principais aspectos ressaltados por especialistas quando o assunto é preservação e conservação do meio ambiente. "Mas se a ação for isolada o resultado não é atingido com tanta eficiência. A mobilização social garante um resultado num tempo menor e com menor custo", diz o diretor da Sanepar, Erivelto Silveiro. Tanto para ele, quanto para o diretor de gestão de bacias do Instituto de Águas do Paraná (AguasParaná), Everton Luiz da Costa Souza, o envolvimento da sociedade foi o grande avanço institucionalizado pela Política Nacional de Recursos Hídricos, aprovada em 1997.

Dois anos depois, o estado aprovou sua própria política e as prioridades começaram a ser definidas dentro dos grupos gestores que contam com a participação do poder público, distribuidoras e usuários.

Ao todo, o estado conta com 50 grupos que se reúnem periodicamente e decidem diversas atividades. "Como prestadora de serviço, a Sanepar tem algumas limitações que acabam sendo supridas pelos demais membros", diz Erivelto.

Para o diretor do AguasParaná, outra vantagem da participação social, neste caso por meio do Conselho Estadual de Recursos Hidrícos, também formado por representantes de todas as áreas envolvidas com a questão da água, seria a mudança de comportamento que pode atingir as gerações futuras. "As pessoas que participam hoje vão tomando consciência e passando para frente. E novas gerações vão crescendo com o espírito participativo", diz.

A próxima reunião do Conselho será no dia 1.º de dezembro, na sede do instituto (Rua Santo Antônio, 239), em Curitiba. O encontro é aberto ao público em geral, que não pode votar para decidir, mas tem direito a manifestar sua opinião.

Para quem não pretende se envolver tão de perto, Everton também tem alguns conselhos. Além de cumprir com seu papel, ele ressalta que é importante que o cidadão cobre de seu vizinho ações positivas. "A gente muitas vezes não quer se indispor, não temos essa cultura, mas o certo é chamar a atenção, porque a ação dele vai interferir na vida de todos", diz.

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