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Dois óbitos decorrentes de efeitos adversos da vacina já foram confirmados em Santa Catarina.
Dois óbitos decorrentes de efeitos adversos da vacina já foram confirmados em Santa Catarina.| Foto: Pedro Ribas/SMCS

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC), órgão da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, investiga o caso de uma menina de 13 anos que morreu dias após receber a primeira dose da vacina da Pfizer. A notificação da ocorrência foi feita na última segunda-feira (10), como possível “Evento Adverso Pós-Vacinação (EAPV), temporalmente associado a aplicação da vacina”. Segundo Boletim da Dive/SC, que monitora possíveis casos de EAPV no estado, até 30 de dezembro do ano passado, 10.899 EAPVs relacionados a vacinas contra Covid-19 foram notificados. Pelo menos dois casos de morte foram associados diretamente à vacina contra Covid-19.

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Em entrevista à imprensa local, a mãe contou que a menina recebeu a primeira dose da vacina Pfizer no dia 9 de novembro, em um posto de vacina da cidade de Orleans, onde morava com o pai. Cinco dias depois, a jovem começou a vomitar e ter paralisia em um dos lados do rosto. Levada ao médico, foi diagnosticada com paralisia de Bell, que pode ser causada por infecções ou pelo sistema imunológico. A menina recebeu tratamento com corticoides, mas os sintomas se agravaram, apresentando fraqueza muscular e lentidão de movimentos e fala.

Segundo a mãe, a criança teria sido então levada ao Hospital Regional de Aranaguá em 21 de dezembro. Após consulta, ela foi liberada, mas voltou ao hospital no dia 29 de dezembro, após piora do estado de saúde. Com quadro de depressão respiratória, a jovem foi entubada e internada, sendo transferida no dia 2 de janeiro para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. Conforme relato da mãe, os médicos teriam identificado uma infecção no cérebro da jovem, mas não apontaram a causa. A menina ficou internada por 8 dias, falecendo na última segunda-feira (10). A mãe disse ainda que a filha era saudável, não apresentando doenças prévias.

Secretaria de Saúde confirma investigação

Segundo nota enviada pela Dive, a notificação da morte da menina foi recebida e agora está sob investigação. Oficialmente, a notificação foi de “Evento Adverso Pós-Vacinação (EAPV), temporalmente associado a aplicação da vacina”. Isso significa que se trata de um caso de doença, sintoma ou morte, ocorrido após aplicação de uma determinada vacina. A investigação vai avaliar se a ocorrência está ou não relacionada a algum dos possíveis efeitos colaterais já identificados pela Pfizer, fabricante da vacina aplicada na menina.

Ainda segundo a nota da Dive, o processo de investigação ainda está em fase inicial e é preciso “avaliar com cautela essa informação, pois o óbito pode estar associado a outras causas e não necessariamente à vacina”. As investigações são feitas pelas equipes de imunização estadual, regional e municipal, contando também com o apoio da equipe técnica de avaliação de eventos adversos do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

Conforme um boletim elaborado pela Dive, atualizado em 30 de dezembro de 2021, de janeiro a novembro de 2021, foram notificados um total de 10.899 casos de Eventos Adversos Pós-Vacinais (EAPV) temporalmente associados à vacina COVID-19. Isso corresponde a 0,1% do total de doses de vacina contra Covid-19 administradas em Santa Catarina. No Estado, foram aplicadas no período um total de 11.335.351 doses das vacinas AstraZeneca (4.297.258 doses), Sinovac/Butantan (2.730.193), Pfizer (4.046.568) e Janssen (261.332).

A maior parte dos casos de EAPV ocorreu em mulheres (69,3%). Além dos registros de EAPV, foram notificados 1.191 casos referentes a erros de imunização, como a administração da vacina incorreta ou inadequada.

Investigação de reações adversas

Segundo a classificação por gravidade, dos 10.899 EAPVs que foram registrados, 10.176 (93,4%) foram classificados como Eventos Adversos Não Graves (EANG) e 723 (6,6%) foram classificados como Eventos Adversos Graves (EAG). Entre os EAG, 311 foram óbitos temporalmente associados à vacinação contra Covid-19, ou seja, ocorridos em até 30 dias após a aplicação de dose de vacina. Dos 311 óbitos suspeitos de EAPV, 259 (83,3%) tiveram a investigação concluída, e 52 (16,7%) ainda estavam em avaliação na época do fechamento do boletim (dezembro de 2021).

Dos 259 óbitos com investigação concluída, 257 (99,3%) foram considerados como não tendo relação causal com a vacina. De acordo com a Secretaria de Saúde de SC, desse total, 108 óbitos (34,7%) tiveram como causa outras patologias, principalmente ocasionados por complicações da infecção pela Covid-19.

Em outros 101 óbitos (32,5%), a relação temporal entre aplicação de vacina e morte existiu, mas não foi possível estabelecer uma relação causal. Isso ocorreu porque os sintomas apresentados pelos pacientes não estavam listados entre aqueles que fabricantes e estudos científicos já identificaram como sendo causados pelas vacinas. Outros 43 óbitos (13,8%) foram inclassificáveis, ou seja, não apresentavam informações que possibilitasse estabelecer causalidade; e para 5 (1,6%) os dados da investigação foram conflitantes em relação à causalidade.

Mortes confirmadas

Em pelo menos dois dos casos de óbitos investigados pela Dive, a aplicação da vacina foi a causa da morte dos pacientes. O relatório da Dive não traz nome, nem informações pessoais das duas vítimas. Entretanto, cruzando os dados que constam no relatório, um dos casos parece ser o do jovem Bruno Graf, de 28 anos. A mãe de Bruno, Arlene Graf,  inclusive, teve sua conta no Twitter suspensa, com o argumento de “violar a política de informações enganosas de Covid-19”. Em sua conta na rede social, Arlene divulgava o cado de Bruno e cobrava mais transparência em relação aos efeitos adversos das vacinas. Ela também entrou uma representação no Ministério Público de Blumenau relacionada ao caso.

De acordo com o relatório divulgado pela Dive, “um homem 28 anos, residente em Blumenau, que iniciou sintomas (calafrios, sensação febril e cefaleia) no dia 23 de agosto, evoluindo a óbito em 26 de agosto, sendo este desfecho desencadeado por um quadro de trombose de sistema nervoso central com plaquetopenia associada”. Já o segundo caso, se refere a uma mulher de 27 anos, moradora da cidade de Timbó, “que iniciou sintomas (febre, dor abdominal e dor nas costas) em 10 de setembro e que evolui a óbito em 23 de setembro, devido a um quadro de trombose de veias porta e esplênica, associada com plaquetopenia”. Ambos os óbitos foram associados à vacina do laboratório AstraZeneca, sendo esses dois casos confirmados tendo seus desfechos com relação a Síndrome de Trombose com Trombocitopenia (STT).

A STT é definida pela presença de trombose/tromboembolismo, geralmente em locais incomuns, acentuada após a vacinação com uma vacina de vetor de adenovírus não replicante contra COVID-19. No Brasil, as vacinas dos laboratórios AstraZeneca e Janssen são as únicas vacinas de vetores de adenovírus que têm sido utilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações.

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