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Agentes chegaram a fechar os portões da penitenciária ontem | Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
Agentes chegaram a fechar os portões da penitenciária ontem| Foto: Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo

Tumulto

Ontem mais um tumulto foi registrado em uma delegacia da Grande Curitiba. No distrito de Campina Grande do Sul, por volta das 13 h, os 17 presos que estavam no local iniciaram um tumulto por causa da lotação nas celas, que não suportariam a quantidade de detentos. Durante a confusão, grades e paredes foram quebradas. Os presos foram controlados após a chegada de policiais do Cope.

75 delegados da Polícia Civil serão contratados pelo governo do Paraná, conforme anúncio feito ontem pelo governador Beto Richa. Com isso, segundo o governo, todas as comarcas do estado terão um delegado. Em março, uma reportagem da Gazeta do Povo mostrou que 48 comarcas do estado não tinham um delegado sequer e que o Paraná tinha a menor proporção desses profissionais por habitante do país: um delegado para 30,9 mil habitantes, ou 356 profissionais para 11 milhões de pessoas.

Logo após o fim do protesto de agentes penitenciários que fechou os portões do Complexo Penal de Piraquara, na manhã de ontem, 52 detentos de delegacias da região de Curitiba foram transferidos para o local. A meta da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) é transferir 52 presos ao dia para o complexo, cumprindo a promessa de, em até 60 dias, transferir 1,2 mil presos das unidades policiais da Grande Curitiba para o sistema prisional do estado. A medida encontra resistência dos agentes, que dizem que não há estrutura suficiente para comportar tantas transferências e temem "um novo Carandiru".

A previsão era de que a manifestação dos agentes durasse todo o dia, mas terminou por volta das 11h30. Um agente de plantão na Casa de Custódia de Piraquara, que não quis se identificar, disse que os presos estão sendo acomodados "como dá", porque não há espaço suficiente. Entre terça e quarta, 104 novos presos foram transferidos, segundo a Seju. Os que chegaram ontem ao complexo vieram dos 1.º, 3.º, 5.º, 8.º e 11.º DP, de Curitiba, das unidades de Pontal do Paraná e Paranaguá, no Litoral, e da Delegacia de Homicídios, na capital.

Pela manhã, em entrevista à Rádio Bandnews, o governador Beto Richa (PSDB) disse que o complexo estava preparado para receber os novos presos. A afirmação foi rebatida por Antony Johnson, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná. "É uma mentira que o complexo foi preparado. Só chegaram colchões usados que serão colocados no chão, porque não tem espaço. Assim que os presos superlotarem o complexo, a segurança ficará fragilizada".

Assembleia

O sindicato vai marcar assembleia nos próximos dias para discutir a possibilidade de uma greve da categoria até o fim do mês. A migração dos presos de delegacias para o sistema penitenciário faz parte de um "plano emergencial" do governo estadual para esvaziar os distritos policiais. Na terça, o governador Beto Richa (PSDB) ordenou as transferências por decreto, após ser pressionado pela Polícia Civil por causa da morte de um agente penitenciário, no domingo, na fuga de detentos da Delegacia de Colombo. Em protesto pelo ocorrido, as delegacias de todo o estado funcionaram apenas parcialmente na terça. Mas a possibilidade de paralisação geral da categoria foi descartada em assembleia na noite de ontem.

A promessa do governo é de que as delegacias da capital sejam esvaziadas em até 15 dias, com os 538 detentos iniciais sendo absorvidos pelo sistema prisional. Ainda assim, nem todos os presos serão transferidos nestes dois meses. Segundo a Seju, as delegacias de Curitiba, região metropolitana e litoral têm 1.568 presos. Portanto, 338 transferências ficarão para depois do prazo de 60 dias, o que deve impactar principalmente as delegacias do Litoral.

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