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Módulo policial da Polícia Militar (PM) encontra-se totalmente destruído e sem condições de uso na Vila das Torres, em Curitiba | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Módulo policial da Polícia Militar (PM) encontra-se totalmente destruído e sem condições de uso na Vila das Torres, em Curitiba| Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Depredação seria represália contra prisões

Na ocasião da depredação do módulo, no dia 4 de agosto, moradores e o proprietário de um bar em frente disseram não ter visto nada e não quiseram dizer o horário que a depredação ocorreu. Alguns vizinhos opinaram que se trata de mais um capítulo no caso dos assassinatos no campo de futebol, quando três suspeitos da Vila das Torres foram presos, uma semana antes. Outros disseram que a polícia fez uma prisão injusta de um menor de idade - que já estaria solto.

  • População pega ônibus em frente ao módulo policial destruído na Vila das Torres em Curitiba
  • Módulo policial da Polícia Militar tem paredes, portas e janelas totalmente quebradas
  • Insegurança: Estudantes universitários aguardam ônibus em frente ao módulo policial abandonado

O que era para ser um ponto de referência de segurança no bairro Prado Velho, em Curitiba, acabou virando imagem do descaso público. Mais de duas semanas após ser depredado, o módulo policial da Rua Guabirotuba, na Vila das Torres, permanece destruído e abandonado. A violência e o tráfico de drogas aumentaram na região, reclamam os moradores. Quem precisa pegar ônibus nas proximidades acaba tendo que "dar trocados" para não ser roubado. A Polícia Militar não tem previsão para começar os reparos no imóvel.

Moradores afirmam que houve aumento da violência e do tráfico de drogas na região após a desativação do módulo. Um morador, que não quis ser identificado, disse que os residentes do bairro querem os policiais de volta. "As pessoas reclamam, mas nós não podemos fazer nada. Isso é assunto para outras pessoas que têm o poder para decidir", diz.

Hoje, o módulo policial está destruído. Janelas, portas e paredes estão todas quebradas e sujas. O imóvel está vazio e sem condições de uso. Virou até uma espécie de banheiro público. Marcas de tiros podem ser vistas nas paredes também.

A Polícia Militar (PM) ainda não tem previsão de reativar o módulo policial da. De acordo com o sargento David Júnior Isidoro, da 5ª Companhia do 12º Batalhão da PM, há um projeto de revitalização do local que está em fase de levantamento de custos.

Isidoro conta que o posto já havia sido desativado pelo Comando da PM há cerca de cinco meses porque não havia condições de manter trabalho 24 horas por dia por falta de efetivo. "Houve reuniões com a comunidade do bairro, que preferiu a ronda de carros da PM no bairro ao invés dos policiais no módulo", explica. A partir da desativação, o módulo passou a ser ocupado esporadicamente por policiais, que faziam plantões entre 17h e 23h em alguns dias da semana. Depois que o imóvel foi depredado, os plantões se encerraram.

Pontos perigosos

Estudantes e professores do campus Curitiba da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), no bairro Prado Velho, também reclamam da falta de segurança no tráfego pelo Portão 3 da universidade. A saída fica ao lado do antigo posto policial, que teve as janelas arrancadas, os vidros quebrados, cadeiras rasgadas e um fogão roubado no último dia 4. Dois pontos de ônibus, que ficam em frente ao módulo, também são alvos de ação de bandidos.

Alguns alunos do curso de Psicologia da PUC-PR, que preferiram ter as identidades não reveladas, utilizam o ponto de ônibus diariamente e contaram à reportagem da Gazeta do Povo que gostariam que policiais ficassem no módulo. Segundo os estudantes, a segurança ficaria melhor com uma equipe policial próxima aos pontos de ônibus.

Alex Antonio Ferraresi, professor do curso de Design na PUC-PR, conta que desde a depredação do posto policial, alunos e professores têm sido abordados freqüentemente, principalmente durante a noite. "Na maior parte das vezes são pessoas que pedem dinheiro e fazem ameaças caso não recebem nenhum trocado", diz.

Ferraresi dá aulas de manhã, à tarde e à noite, dependendo do dia. Ele conta que às vezes vai e volta da universidade de carro e, às vezes, pede carona. "Tanto quando estou aguardando minha mulher, quanto quando estou saindo de carro, sou abordado por pedintes", afirma. "Outro dia um adolescente me falou que poderia me assaltar se quisesse". Coagido, Ferraresi conta que sempre acaba dando moedas. "O problema é que são coisas pequenas, ninguém dá queixa na polícia e, cada vez mais, a insegurança aumenta", diz .

O sargento da PM confirma a versão de Ferraresi. "Não há registros de aumento de furtos ou assaltos na região", diz. "Sempre que recebemos chamados de alunos mandamos viaturas para lá, mas muita gente não chega a acionar a polícia". Apesar disso, de acordo com Isidoro, desde a segunda-feira (18), a PM começou a manter uma viatura parada exatamente onde o posto policial funcionava.

No final da tarde, horário de saída do turno vespertino, o trânsito na Rua Guabirotuba é bastante congestionado. Para virar na rua, os motoristas têm que ficar parados na saída, o que os tornaria vulneráveis a assaltos, segundo o professor. "Outro dia, lá no portão 3, uma professora que saía por volta das 18h30 teve o vidro do carro quebrado e sua bolsa roubada".

"Não entendo porque desativaram o posto policial. Se é porque o problema da segurança foi resolvido, faltou avisarem os bandidos", reclama. Ferraresi conta que, do lado de dentro da PUC, a situação é completamente diferente. "Na universidade tem vigias, que garantem a segurança dos alunos e professores", diz. "A insegurança é do lado de fora".

A PUC-PR, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não iria se pronunciar sobre o assunto, uma vez que seria de responsabilidade do poder público a segurança do lado fora dos portões da universidade. A instituição estaria disposta, no entanto, a conversar com a PM sobre uma possível parceria para a reativação do posto policial, mas até o momento nenhuma proposta foi feita pela polícia.

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