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Precariedade

Sem motivos para demora

A espera de oito meses para a liberação do corpo do pedreiro Baltazar Galdino, de 35 anos, por parte do Instituto Médico-Legal de Curitiba (IML), conforme mostrou a reportagem publicada pela Gazeta do Povo na última sexta-feira, não teria explicações técnicas para ocorrer. Essa é a opinião do professor universitário de medicina legal e direito penal Paulo Cipriano Coen. O pedreiro morreu carbonizado no dia 19 de junho de 2008 em sua residência, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, mas só foi liberado para sepultamento no sábado passado.

De acordo com o professor, na identificação de um corpo carbonizado é preciso verificar primeiro a causa da morte. "O perito tem condições de saber se a vítima foi queimada ainda viva ou depois de morta", diz. O próximo passo seria fazer a identificação do cadáver, por parâmetros como a arcada dentária ou exame de DNA.

No caso do pedreiro, conforme contou a irmã Luzia Galdino, 42 anos, funcionários do IML afirmaram que não era possível fazer a identificar por falta de digitais e por esse motivo teria sido solicitado o exame de DNA. "O resultado de um exame desse tipo fica pronto em questão de dias. Não há motivo para tanta demora, a não ser que a rede pública tenha encontrado dificuldades para um exame gratuito", diz. O professor ainda levanta a possibilidade de a autoridade policial ter levantado a suspeita de que a morte não tenha sido acidental.

Outros casos

Há um ano sob intervenção, o IML tem sido palco de escândalos. Em abril do ano passado, um funcionário foi preso em flagrante acusado de vender corpos. Houve suspeita de conluio entre funcionários e funerárias. Uma investigação foi iniciada e o resultado não divulgado até hoje. Em julho de 2008 uma médica-legista foi presa em flagrante acusada de furtar órgãos do IML. Ela responde ao processo em liberdade.

Após a nomeação do coronel Almir Porcides Júnior, uma auditoria sobre as reais condições do órgão foi solicitada à Corregedoria Geral do Estado, mas até agora não houve conclusão anunciada. A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança afirma que o maior problema é falta de pessoal no IML e no Instituto de Criminalística e que os dois órgãos aguardam a nomeação de 129 funcionários aprovados no concurso de 2007. A Sesp aguarda um projeto arquitetônico da nova sede para agosto, mas não há previsão para o início da construção. No ano passado, o governo prometia iniciar as obras em 2009.

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