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Tayná sumiu na terça-feira (25) nas proximidades de um parque de diversões em Colombo | Reprodução/Facebook
Tayná sumiu na terça-feira (25) nas proximidades de um parque de diversões em Colombo| Foto: Reprodução/Facebook

O sêmen encontrado no corpo de Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, não é compatível com o de nenhum dos quatro suspeitos apontados pela polícia como autores confessos do estupro seguido de morte da adolescente. A menina foi encontrada morta no último dia 28 de junho em Colombo, região metropolitana de Curitiba, e desde o início as investigações apresentam contradições. A informação de que o material genético encontrado no corpo é incompatível com o dos suspeitos foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública na manhã desta terça-feira (9) após o resultado de um laudo feito pela Polícia Científica.

O inquérito, no entanto, já foi entregue ao Ministério Público. O promotor que recebeu o inquérito é Ricardo Casseb Lóes, responsável pela comarca de Colombo. O documento chegou às mãos dele na última segunda-feira. Ele vai analisar o caso e pode solicitar a complementação de informações de investigação ou laudos pela polícia.

Nessa manhã, vários integrantes da Secretaria de Segurança Pública - entre delegados, peritos e legistas - e o Ministério Público se reuniram para discutir o caso. Até o momento, não foi identificado de quem é o sêmen encontrado no corpo da adolescente.

Após a reunião, Alexandre Antonio Gebran, médico legista chefe do necrotério, disse que não poderia falar sobre o caso já que o MP determinou sigilo de justiça. "A única coisa que é possível afirmar até agora é que Tayná morreu por estrangulamento por asfixia mecânica. Estamos fazendo todos os exames, provas e contraprovas e por ética médica não posso dizer se houve ou não houve estupro", disse.

De acordo com a Delegacia de Alto Maracanã, em Colombo, quatro suspeitos de cometer o crime foram indiciados com base nas investigações: Sérgio Amorin da Silva Filho, de 22 anos, Paulo Henrique Camargo Cunha, 25, e Adriano Batista, 23, que teriam matado a garota após manterem relações sexuais forçadas com ela. Ezequiel Batista, 22, também foi indiciado, mas porque testemunhou tudo sem tentar impedir o assassinato e sem denunciar os comparsas.

O crime

Segundo relatos dos acusados, eles sabiam que a menina costumava passar por aquele caminho diariamente entre 17 horas e 17h30 e voltar entre 20h30 e 21 horas. De acordo com o delegado Fábio Amaro, que assumiu interinamente a delegacia, os presos já estavam arquitetando um plano de como violentá-la. Conforme análise da câmera de segurança do local, os quatro rapazes, que trabalhavam em um parque de diversões na região, teriam abordado Tayná na rua, em frente ao parque.

Um deles bateu na cabeça da jovem, que ficou inconsciente. Chegando ao local do crime, a menina teria recuperado parcialmente a consciência, então Paulo, Sérgio e Adriano se revezaram praticando sexo anal e vaginal na adolescente por aproximadamente uma hora. Ezequiel, no entanto, teria ficado apenas observando. Na sequência, um dos homens usou o cadarço da bota da menina para estrangulá-la.

Quando a morte se dá por asfixia mecânica, o corpo dá alguns sinais. Um desses indícios, segundo o delegado, é o surgimento de um bolo fecal, onde foi comprovada a presença de sêmen. Por causa da ocorrência desse novo indício, o delegado Amaro conseguiu com que os acusados prestassem um novo depoimento mais detalhado sobre o caso. Neste segundo depoimento, os presos descartaram a suspeita de necrofilia, prática de ato sexual com cadáver, que havia sido apontada anteriormente.

Contradições

Declarações de uma perita, que investiga a morte de Tayná, no último dia 2 de julho e reafirmadas nesta terça-feira, colocam em dúvida as conclusões da polícia sobre o crime. De acordo com Jussara Joeckel, do Instituto de Criminalística, a adolescente pode não ter sido violentada, pois não havia sinais de violência ou luta no cadáver da jovem, comuns em caso de resistência aparente. No início deste mês, em entrevista ao portal Paraná Online, Jussara disse que o corpo da menina estava com roupas alinhadas - de forma que apenas ela mesma poderia ter vestido -, com um cadarço no pescoço e tinha marca de pancada na cabeça.

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