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Sete pessoas que estavam no barco que naufragou na noite deste domingo (22) no Lago Paranoá, em Brasília, são procuradas pelas equipes de resgate, segundo informou na madrugada desta segunda-feira (23) o coronel Luis Blumm, do Comando Operacional do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. No barco era realizada uma festa organizada por um buffet.

Inicialmente, o Corpo de Bombeiros informou que 104 pessoas estavam a bordo da embarcação. Por volta de 1h, Blumm informou que não é possível dizer o número exato de pessoas a bordo na hora do acidente. "Não recebemos uma lista fechada dos passageiros do barco, por isso não e possível dizer por enquanto quantas pessoas estavam a bordo", afirmou.

Entre os desaparecidos, está Valdelice Fernandes, de 34 anos, mãe do bebê de seis meses que morreu afogado no acidente. De acordo com o Blumm, o bebê foi retirado da água pelos bombeiros e recebeu massagem cardíaca, mas não resistiu e morreu na margem do lago.

Segundo o coronel, 92 pessoas foram resgatadas. Três delas precisaram ser encaminhadas ao Hospital de Base. Não há informações sobre o estado de saúde das vítimas. As outras 89 pessoas resgatadas receberam cobertores térmicos e foram liberadas.

De acordo com Blumm, as buscas por vítimas continuaram na madrugada. "Há esperança de haver sobreviventes. As próximas sete horas são cruciais para resgatar os desaparecidos. Há possibilidades de vitimas com vida boiando no Lago", disse. Às 2h40, a Marinha informou que a operação de mergulho foi encerrada e que continuaria a partir das 6h. Cinco lanchas continuarão a fazer ronda pelo lago em busca de vítimas.

Causas do acidente

O delegado da Marinha Fábio Rogério Leite Sousa afirmou que abriu um inquérito administrativo para apurar as causas do acidente. Ele afirmou que há indícios de que havia excesso de passageiros. Segundo ele, a embarcação tinha capacidade para 90 pessoas, sendo que o Corpo de Bombeiros já resgatou, até a 1h desta segunda-feira, 92 pessoas.

Outra hipótese que poderia ter provocado o acidente é um suposto choque da embarcação com uma lancha. "A informação que temos é que uma lancha encostou no barco, mas isso não é determinante para o afundamento. Apenas com a investigação será possível saber a causa exata", afirmou o delegado da Marinha.

Sousa disse ainda que os documentos da embarcação estavam em dia. O delegado não soube dizer com certeza de onde a embarcação partiu. "A princípio, a embarcação fica atracada no Ascade e saiu daqui", afirmou. Em nota, a Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados (Ascade) informou que o barco se chamava Imagination, que era de propriedade particular e que teria saído do clube Cota Mil.

Relatos de vítimas

Antes de prestar depoimento na 10º Delegacia de Policia de Brasília, o comandante do barco, Airton da Silva Maciel, de 28 anos, disse à TV Globo que a embarcação passava por reformas. Ele afirmou que, frequentemente, se dirigia à casa de máquinas para checar se havia infiltração de água. Em uma dessas vistorias, ele disse que verificou a água entrando rapidamente. Em seguida, o barco começou a virar.

Parte dos ocupantes da embarcação recebeu os primeiros socorros no clube Ascade, que fica perto do local do acidente.

Por volta das 23h15, algumas vítimas resgatadas começaram a deixar o clube. Uma das primeiras vítimas a deixar o local após receber os primeiros socorros, Jéssica Yvi, de 22 anos, disse que o barco começou a virar rapidamente. "Estávamos lá e, de repente, uma mulher pediu para todos irem para a frente do barco. Ele [o barco] foi virando e afundando", afirmou.

Magno Moreira, de 22 anos, contou que a festa era paga, com entrada a R$ 60, e tinha bebida liberada. "Uma hora depois de entramos no barco, fui ao banheiro e vi que começou a subir água. Logo depois, em dez minutos, a embarcação virou e afundou. Eu não sei nadar e me apoiei em um pedaço do barco que ficou para fora [da água]", contou. De acordo com o jovem, havia cerca de 20 de coletes salva-vidas na embarcação.

Há um ano

Há exatamente um ano, o naufrágio de uma lancha no Lago Paranoá resultou na morte de duas irmãs, que não sabiam nadar. A perícia indicou que a superlotação provocou o naufrágio da lancha. Com capacidade para seis pessoas, a embarcação levava 11 passageiros na hora do acidente. O piloto, José da Rocha Costa Júnior, foi indiciado por homicídio culposo.

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