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Surfe ferroviário acaba em morte no Paraná

Número de casos fatais na malha paranaense da ALL desde 2007 é três vezes maior que nas ferrovias da concessionária em São Paulo; empresa lança campanha de conscientização

Em Piraquara, crianças e jovens foram avisados sobre os perigos do surfe ferroviário | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Em Piraquara, crianças e jovens foram avisados sobre os perigos do surfe ferroviário (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

Nove jovens morreram fazendo surfe ferroviário no Paraná desde o início de 2007, quatro deles em Curitiba e região metropolitana. Os números se restringem aos trechos da América Latina Logística (ALL), concessionária da malha ferroviária do Sul do Brasil, e representam o triplo das ocorrências registradas no mesmo período pela empresa no estado de São Paulo, cuja malha é praticamente o dobro da paranaense. No caso mais recente, há um mês, em Piraquara, um adolescente fazia malabarismos sobre o vagão do trem quando perdeu o equilíbrio, caiu sobre os trilhos e teve o corpo cortado ao meio.

A periculosidade e a frequência com que é praticado o surfe ferroviário levou a ALL a fazer uma campanha de conscientização para coibir a prática. Ontem, uma equipe contratada pela empresa distribuiu panfletos em Piraquara, numa ação que contempla ainda as cidades de Santos, Sorocaba, Araraquara e Bauru, todas em São Paulo. A campanha leva o nome "Surfista de trem leva caldo da vida", em materiais informativos que alertam para os perigos dessa prática, como o risco de queda, que pode causar desde a amputação de um membro até a morte.

A concessionária também desenvolve trabalhos educativos com motoristas e pedestres em cruzamentos com linha férrea, distribuindo panfletos que alertam sobre os cuidados necessários ao cruzar a linha do trem. Segundo a coordenadora do programa, Carolina Goulart, ele é permanente e abrange os principais cruzamentos dos principais municípios dos seis estados onde a empresa atua. A malha viária da ALL se estende por 21,3 mil quilômetros no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Os alertas já dão resultados. Josias Martins, 53 anos, dono de um ferro-velho no bairro São Cristóvão, em Piraquara, conheceu jovens que faziam surfe sobre os trens. Ciente dos riscos, orienta os filhos pequenos sobre os perigos. Não quer ver repetida na família a tragédia de um mês atrás num bairro vizinho. Três adolescentes surfavam nos vagões finais de uma composição da ALL, na linha férrea entre Curitiba e Paranaguá, quando um deles escorregou e caiu sobre o trilho. Um dos vagões dividiu o corpo em duas partes. Os colegas fugiram.

As chances de indenização às famílias são pequenas, uma vez que a vítima assume o risco da ação. Em 2001, por 3 votos a 2, a 4.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça abriu precedente ao decidir que as companhias ferroviárias não são obrigadas a pagar indenização aos passageiros que viajam sobre os vagões de trens urbanos, por entender que a culpa por um acidente ocorrido nessas circunstâncias seria exclusiva da vítima. A turma negou recurso à mãe de um adolescente morto eletrocutado em 1993 quando fazia surfe ferroviário na Baixada Fluminense.

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