"Falta muito pouco para encerrar caso"

Segundo o delegado Aprígio Paulo de Andrade Cardoso, da Delegacia de Homicídios, a investigação da morte do promotor Roberto Moellmann Gonçalves só será encerrada com a prisão do terceiro acusado, de nome Marcos. "Estamos com equipes na rua atrás desse cidadão." Ele seria moreno claro, tem 1,80 de altura e idade entre 35 e 40 anos.

Durante as buscas, o pai de Adriano Allpinhak da Silva também foi detido e indiciado por posse ilegal de arma, já que na casa dele foram apreendidas duas armas, um revólver calibre 38 – que teria sido usado para ameaçar o promotor – e uma espingarda. Apesar de indiciado, o delegado descarta a hipótese de que o pai de Adriano tenha participado do crime. A faca utilizada no assassinato teria sido descartada nas proximidades do Terminal do Cabral e ainda não foi encontrada.

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A Delegacia de Homicídios de Curitiba apresentou ontem dois responsáveis pela morte do promotor de Justiça Roberto Moellmann Gonçalves Barros, de 39 anos, assassinado dentro de casa, na semana passada. O técnico em informática Adriano Allpinhak da Silva, de 27 anos, era amigo pessoal de Moellmann e confessou ter planejado o assalto à residência dele. Também foi preso Anderson Marola, de 29 anos, mas ele nega participação no caso. A polícia divulgou ainda o retrato falado de um terceiro criminoso, identificado apenas como Marcos.

De acordo com o delegado Aprígio Paulo de Andrade Cardoso, responsável pela condução das investigações, os três cometeram latrocínio – roubo seguido de morte. Cardoso explica que foi Adriano o "mentor intelectual" do assassinato. Segundo o delegado, Adriano – que trabalhava com o reparo de equipamentos de informática – estaria passando por dificuldades financeiras. "Ele sabia que o Roberto tinha um cofre em casa e viu no assalto uma solução para seus problemas."

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Adriano teria feito contato com Anderson, que por sua vez recrutou Marcos para cometer o crime. Os três chegaram na residência de Moellmann na noite de terça-feira. Adriano ligou para o promotor e pediu para que ele abrisse a garagem para estacionar o carro. O técnico em informática entrou na casa de Moellmann enquanto os outros dois esperavam no porta-malas.

Passados alguns minutos, Anderson e Marcos aproveitaram a porta deixada aberta propositalmente por Adriano e deram voz de assalto a Moellmann, enquanto este mostrava alguns CDs para Adriano. Conforme o combinado, Adriano teria simulado surpresa com a presença dos dois. Pela versão dada pelo técnico em informática em seu depoimento, Moellmann foi arrastado pelos outros bandidos até o quarto da empregada, onde foi assassinado com uma facada. "O Adriano diz que não viu e não participou do assassinato e que eles tinham combinado não matar a vítima. Mas essa história não nos convence", diz o delegado.

Os três saíram da residência levando um aparelho identificador de chamadas, dois telefones celulares, uma máquina digital e uma corrente de pescoço sem grande valor. O cofre da residência não chegou a ser aberto. Na quinta-feira, Adriano fez dois saques com o cartão de Moellmann. Um de R$ 1.000 e outro de R$ 500. Um deles, no Banco do Brasil, foi filmado.

Segundo Cardoso, o crime começou a ser elucidado com o depoimento da empregada do promotor. "Ainda no local do crime conversamos com ela e a indagamos sobre pessoas que freqüentavam a residência. Ela nos falou de um amigo Adriano que teria passagem pela polícia por porte ilegal de arma." De posse dessa informação, a polícia mostrou várias fotos de pessoas com o nome Adriano que tiveram passagem pelo mesmo crime. Em uma delas a empregada reconheceu a imagem do técnico em informática. Na quinta-feira, segundo Cardoso, veio a confirmação de que Adriano tinha envolvimento com o crime. O sistema de monitoramento interno da agência do Uberaba do Banco do Brasil flagrou um saque feito por Adriano com o cartão do promotor.

O técnico em informática se entregou na quinta-feira à noite, depois de uma longa negociação, que envolveu um policial civil, que freqüenta a mesma igreja que o rapaz. Em seu depoimento na delegacia Adriano deu o endereço de Anderson que foi preso no domingo.

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