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GUERRILHA

Terra roxa de sangue

Ocupação da região de Porecatu na década de 40 gerou um dos maiores conflitos que já ocorreram no Paraná

  • Diego Antonelli
Colonos durante o cerco à região de Porecatu enfrentaram o avanço da polícia |
Colonos durante o cerco à região de Porecatu enfrentaram o avanço da polícia
 
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Terra roxa de sangue

Uma promessa não cumprida e muito sangue derramado pelas terras roxas do Norte do Paraná. A Guerrilha de Porecatu começou com o desejo do então interventor do estado, Manoel Ribas, de povoar 120 mil hectares de terras devolutas na região de Porecatu. Através do Departamento de Terras, o governo determinou que iria ceder os lotes a quem derrubasse a mata, plantasse, pagasse impostos e vivesse no local por pelo menos seis anos. O resultado foi uma corrida desordenada ao quase desconhecido sertão paranaense no início da década de 40, principalmente entre os anos 1941 e 1943.

Aventureiros, agricultores, especuladores e até grandes proprietários avançaram para a região que era tida como terra de ninguém. Imigrantes, principalmente vindos de São Paulo, tinham a perspectiva de conseguir melhores condições de trabalho e a posse de uma parcela de terra.

O problema é que, como conta o historiador Ângelo Priori, muitos grileiros se aproveitaram da situação e também queriam seus pedaços de terra. Pelo menos dez grandes grileiros forjavam documentos e atestavam que os lotes já tinham donos. “Eles inventavam documentos em cartórios e solicitavam ao juiz, que também era grileiro, a reintegração de posse”, explica.

A situação piorou com o governo de Moisés Lupion, a partir 1947, quando foram distribuídas terras a empresários e parceiros políticos. Muitas delas já estavam ocupadas e desbravadas por posseiros que aguardavam o sexto ano para ter o título da propriedade. Aliado dos latifundiários, Lupion não cumpriu o acordo com os posseiros. “Ele não concedeu nenhum título de terra aos posseiros”, completa o jornalista e pesquisador do tema, Marcelo Oikawa.

Cenário de guerra

De um lado ficaram os posseiros que lutavam por suas terras e, do outro, grileiros que queriam alargar seus territórios. Muitos jagunços foram contratados pelos ‘coronéis’ para ameaçar, espancar, incendiar casas, matar animais e destruir as colheitas das cerca de 3 mil famílias de posseiros.

A tensão era tanta que o governo prometeu que iria ceder dez alqueires a cada posseiro que decidisse abandonar a zona conflituosa. Quem aceitou o acordo, ficou com as mãos abanando. O governo, mais uma vez, não cumprira o pacto. Em 1948, os posseiros resolveram apelar à ajuda do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que na época estava em situação ilegal.

Organizados em grupos armados, os posseiros tinham a vantagem de conhecer a região. Fizeram tocaias contra os jagunços, atacaram as grandes fazendas e tentaram manter jagunços, grileiros e os cem policiais militares longe.

Quando Bento Munhoz assumiu o governo em 1951, Porecatu estava no auge do conflito. Munhoz tentou ainda uma negociação com os posseiros. Uma das alternativas propostas era o reassentamento. “O problema é que o PCB não queria acordo e proibiu as famílias de concordarem”, explica Oikawa. Diante do impasse, o governo decidiu organizar o Cerco de Porecatu, mobilizando a polícia do Paraná, São Paulo e até o batalhão de fronteira de Foz do Iguaçu.

Na madrugada de 17 de julho de 1951, os policiais invadiram a região. O historiador Priori relata que os líderes dos posseiros foram presos e muitos fugiram em direção a Maringá. “Ao todo, 17 posseiros foram condenados, mas muitos fugiram”. As penas variavam de sete a 14 anos.

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