Desfile da Ellus: marca conhece seu próprio produto | Nacho Doce/Reuters
Desfile da Ellus: marca conhece seu próprio produto| Foto: Nacho Doce/Reuters

Identidade

Reinaldo Lourenço, que coleção após coleção se supera em criatividade, manteve sua identidade na passarela. O estilista se renovou ao apostar em estampas florais gráficas, em modelos bem joviais, feitos em alfaiataria curta e recursos alternativos de costura.

Desfiles que não são desfiles. Conceito dando lugar à venda certa. Em outros momentos, o excesso de conceito. Será que a moda está ficando fora de moda? Quem disse isso foi Oskar Metsavath, da Osklen, durante a apresentação da sua coleção na São Paulo Fashion Week, que acabou ontem, em São Paulo. O fato é que, ao fim da mais importante semana de moda da América Latina, o cenário fashion nacional passa por mudanças: passarelas mais democráticas, tendências já não são tão evidentes, exibir marcas parece ser mais bacana do que saber vestir. Mas a moda geralmente consegue se reinventar.

Há quem não se abale com a crise, pelo menos a de identidade, como é o caso de Reinaldo Lourenço, que coleção após coleção se supera em criatividade. Desta vez, se renovou ao apostar em estampas florais gráficas, em modelos bem joviais, feitos em alfaiataria curta e recursos alternativos de costura. Fez o tradicionalíssimo trench coat, por exemplo, em tela. Vestiu suas modelos de biquíni por baixo. Falou dos dias de verão em Londres para inspirar os daqui.

A Ellus também conhece o seu produto, sabe que o seu jeans vende e, por isso mesmo, investiu nele, em uma coleção do denin lavado, em peças largas como casaquetos e bermudas, misturado a tweed e metalizado. O bacana é que a marca resolveu levantar a sua bandeira na passarela. Ao som de uma bateria de escola de samba e de canções de Caetano Veloso dos tempos do golpe, entrou vestindo camisetas com a inscrição "Abaixo este Brasil atrasado". A Cavalera, no começo da semana de moda, também deu seus gritos e levantou suas cruzes contra a corrupção e a violência.

Alexandre Herchcovitch, por outro lado, veio provocador. Seu discurso não é panfletário, mas ousado, quando coloca seus homens vestidos de kilt, saia tipicamente inglesa. Desconstruiu a peça, aplicou as pregas em coletes e casacos longos, fez alfaiataria com recortes e muito xadrez.

Em sua coleção de estreia, Wagner Kallieno, que trabalhou o sol do Noredeste em sua coleção, feita em tons claros, com bordados pontuais, brocados e brilho metalizado. Destaque também para o bordado seridoense, da região do Caiocó, no Rio Grande do Norte, bem vazado e aplicado em peças longas e inteiras.

O último dia teve ainda desfile da Melissa, que apresentou sua linha de sandálias de plástico e design, a irreverência colorida da Amapô e a moda festa de Samuel Cirnansck, que trabalhou com tecidos coloridos sobrepostos e tons flúor em detalhes de vestidos elaborados.

*A jornalista viajou a convite do evento

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