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Urbanismo

Uma cidade para os pedestres

Na década de 70, Curitiba ganhou vários calçadões a partir da Rua XV. Especialistas dizem que a cidade deixou de pensar em espaços como esses

  • Gabriel Azevedo
Calçadão da Rua XV de Novembro: construído em 72 horas, em meio à oposição dos comerciantes |
Calçadão da Rua XV de Novembro: construído em 72 horas, em meio à oposição dos comerciantes
 
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Sem festa, bolo ou comemorações, o primeiro calçadão exclusivo para pedestres do Brasil, a Rua XV de Novembro, completou 39 anos de existência no último dia 20 de maio. Projetado pelo arquiteto Abrão Assad, o espaço, também conhecido como “Rua das Flores”, foi construído em um período de 72 horas, durante a gestão do então prefeito Jaime Lerner. Há anos sem intervenções desse tipo, porém, Curitiba terá um novo calçadão em 2012, na Avenida Cândido de Abreu. A obra, programada para começar em agosto, levanta a discussão em relação aos espaços destinados aos pedestres na cidade.

Concebido com o objetivo de devolver o Centro aos pedestres, o calçadão da XV, mesmo gerando polêmica, principalmente com os comerciantes, deu certo e se tornou um dos cartões-postais da cidade. Depois dele, ainda na década de 70, surgiram outros: na Rua Saldanha Marinho, Senador Alen­­car Guimarães e Monsenhor Celso. Depois, não mais.

Para o engenheiro civil Roberto Ghidini, doutorando do Depar­­tamento de Urbanística e Orde­­nação do Uso Territorial da Escola Superior de Arquitetura da Universidade Politécnica de Madrid, na Espanha, os pedestres devem ser reconhecidos em programas, planos e estratégias como os principais usuários das vias das cidades. “Os calçadões devem ser vias interessantes para os percursos a pé, conectando pontos de interesse e que em muitos casos possam ser articulados com o trasporte público e com ciclovias”, diz.

A opinião é semelhante à do presidente da Sociedade Peatonal, André Caon. Segundo ele, Curitiba perdeu a capacidade de visualizar espaços para os pedestres. “Existem mais pessoas do que veículos, mas nas ruas a proporção não é a mesma. O espaço reservado ao carro é muito superior ao destinado ao pedestre. O calçadão é uma ilha de segurança para o pedestre e precisava ser incentivado”, diz.

Novos espaços

Curitiba está prestes, novamente, a ganhar um novo espaço exclusivos para pedestres. A Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico, será revitalizada e terá um calçadão central de 950 metros de extensão e 18 metros de largura – que irá do Palácio 29 de Março, sede da prefeitura, até a Praça 19 de Dezembro.

De acordo com o Reginaldo Rei­­nert, do Setor de Planos e Estruturação Urbana a do Insti­tuto de Pesquisa e Planeja­mento Urbano de Curitiba (Ippuc), fora o projeto da Cândido de Abreu, não existem planos, pelo menos atualmente, para implantação de um novo calçadão na cidade. Reinert foi membro do grupo de projetistas do calçadão da Rua XV de Novembro e agora trabalha no projeto da Avenida Cândido de Abreu.

Uma ideia antiga, que por enquanto não está nos planos da prefeitura, é a continuação da Rua XV de Novembro, ligando o prédio da Reitoria até a Praça Santos Andrade. “A ideia inicial era essa, mas por uma série de detalhes, como a rua do expresso, acabou não saindo. Mas acredito que no futuro isso deva acontecer, entretanto, no momento não é possível”, afirma.

O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Edson José Ramom, diz que é necessário ter cuidado ao planejar um calçadão. “A tendência mundial são os calçadões. Acreditamos que em alguns casos o comércio ganha com isso, mas depende do local em que ele for instalado. Há locais em que eles não são convenientes. Mas quando bem instalados, o calçadão dá vida a rua.”

Para o ex-presidente do Ippuc, Luís Henrique Cavalcanti Fra­­gomeni, existem espaços, inclusive nos bairros, em que seria possível implantar um calçadão. “Bair­­ros como o Seminário, Rebouças, têm vocação para um calçadão”, afirma. O arquiteto do Ippuc pensa diferente. “Acho que atualmente, em Curitiba, não cabe mais um calçadão como a Rua XV. A questão dos pedestres está muito mais ligada ao respeito de todos em relação à cidade. Não adianta obras e planejamento, se os motoristas, ciclistas, pedestres não respeitarem o próximo”, defende Reinert.

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