Bares e restaurantes passarão a pagar quatro faixas de preços, conforme a região da cidade, pelo avanço nos espaços públicos.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Após um movimento de resistência da categoria de gastronomia, a prefeitura de Curitiba anunciou ontem de manhã novas regras para a construção dos recuos (áreas semelhantes a varandas) e os valores que cobrará dos proprietários de estabelecimentos comerciais para a sua utilização.

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Ficaram definidas quatro faixas de preço: o primeiro grupo de estabelecimentos, instalados na região central e no setor histórico, deverão pagar R$ 12,50 mensais por metro quadrado; a seguir, as propriedades do chamado ZR4, zonas urbanas de média a alta circulação como o bairro Batel, serão taxadas em R$ 10 ao mês por metro quadrado; a terceira faixa de preço, de R$ 7,50 mensal, contempla os estabelecimentos de Santa Felicidade e do Centro Cívico; as demais regiões pagarão R$ 5 mensais por metro quadrado a partir da próxima renovação de alvará.

A medida deve afetar cerca de 1,2 mil estabelecimentos comerciais da cidade, 500 deles localizados na região central e gerar receita de R$ 2 milhões em 2015, que serão direcionados para um fundo de recuperação de calçadas. Ficou definido também que os recuos podem usar materiais como gesso, vidro e telhas translúcidas. Já as construções de alvenaria e madeira não serão permitidas.

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O prefeito Gustavo Fruet (PDT) afirmou que a medida ajuda melhorar a previsibilidade dos negócios, uma vez que os comerciantes dispõem de regras mais claras para as construções.

Mesas

A decisão não atinge as mesas e cadeiras colocadas nas calçadas pelos comerciantes. O presidente da Associação dos Comerciantes da Região da Praça da Espanha (Ascores), Othon Accioly, porém, defende que os estabelecimentos passem a pagar os mesmos valores estipulados na decisão das construções de recuos. “Isso tornaria a cidade muito mais atrativa para os turistas, para os clientes que gostam de ficar nesses ambientes e ajudaria a resolver o problema das irregularidades”, disse.

Com isso, houve uma redução considerável em relação à primeira proposta que deveria entrar em vigor em janeiro e previa taxas de R$ 10 a R$ 25 mensais.

Os valores anunciados agradaram a Associação Brasileira dos Bares e Restaurantes do Paraná (Abrasel-PR), que argumentava que um custo adicional desse porte poderia prejudicar a viabilidade dos negócios de muitos estabelecimentos. “Saímos satisfeitos com o resultado desse acordo, baseado no bom senso e no entendimento”, afirmou Jilcy Rink, presidente da Abrasel-PR.

O dono da rede de panificadoras Saint Germain, Heitor Côrtes, disse que, mesmo com o aumento de custo, a decisão é positiva para seus negócios. “Agora temos mais segurança e os clientes adoram ficar nos recuos. Todos gostam de ser vistos”, afirmou.

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Mas isso implica adequações custosas na estrutura de alguns estabelecimentos. Joelmir André, dono do restaurante Mellonia’s, no Bacacheri, foi multado no ano passado em quase R$ 2 mil por não cumprir as regras do recuo. “Tive de pagar a conta sem entender muito bem o que estava sendo cobrado”, afirmou.

Em janeiro, ele reformou seu restaurante a um custo de R$ 48 mil. “Gostei da lei porque antes ficávamos nas mãos de políticos para conseguir renovar o alvará, mas acho que o prazo para a adequação deveria ser maior. Nem todos têm os recursos para essas reformas”, disse.