Conseguir transporte escolar é um desafio para quem mora na periferia de Curitiba e tem filhos matriculados em colégios na região central. Quando surge algum motorista interessado em fazer o serviço, o preço é muito alto. A solução é recorrer ao transporte coletivo, que nem sempre oferece a segurança desejada.
Segundo a Urbs, o transporte particular atende 74 bairros da cidade. A regra entre eles, porém, é atender somente os bairros mais próximos, por causa do custo alto. Quem não tem a opção do serviço ou não pode pagar em torno de R$ 200 por criança, é obrigado a enviar os filhos pelo transporte público.
É o que ocorre com os pais de Stephanie Athaydes, 12 anos, e Larissa Costa, 11, alunas da sexta série de uma escola no Centro. As duas moram no Uberaba e estudam no Centro. A funcionária pública Juanez Ferreira da Costa, mãe de Larissa, conta que está sempre à procura de uma condução escolar, mas até agora não conseguiu. "É difícil encontrar quem se habilite a levar minha filha do bairro Uberaba até o Centro", diz. São mais de 7 quilômetros entre a residência e a escola.
Somente neste ano, Juanez já fez contato com cinco vans. A resposta só veio de uma, que cobrou R$ 195. "A alegação do valor é que não compensa circular com a criança por distâncias tão grandes e que o roteiro deve ser dentro do bairro ou o mais próximo dele". Quanto a mudar a filha de escola, essa é uma opção totalmente descartada. Ela acredita que a qualidade do ensino da escola escolhida supera a falta de segurança.
A avó de Stephanie também pensa o mesmo. Segundo Mariana Athaydes, 59 anos, o jeito é fazer um rodízio entre os pais e responsáveis. Uns levam, outros buscam e, muitas vezes, alguém leva as duas amigas somente até o ponto. O resto do percurso, elas fazem sozinhas.
O presidente do Sindicato de Transporte Escolar, Marcos de Bem, alerta que o ideal é que o aluno não fique por mais de 30 minutos dentro do transporte escolar. Para ele, os pais devem pensar em procurar uma escola próxima de sua casa.



