
Após três anos a bordo de um veleiro, a família Portela está de volta ao Paraná. Os seis integrantes o casal Ricardo e Cláudia, seus filhos Lygia, Giovanna e Ricardinho, e o cachorro Dudu desembarcaram em Paranaguá há uma semana, após darem a volta ao mundo. O clima entre eles era de felicidade por terem realizado um sonho, mas também de tristeza, pelo fim da aventura. A Gazeta do Povo embarcou no veleiro Bravo no último sábado, dia 13, para acompanhar a reta final dessa trajetória, entre a Ilha do Mel e Paranaguá.
Eles foram recebidos com muita festa pelos amigos em veleiros no meio da Baía de Paranaguá e coube ao caçula, Ricardinho, tocar uma espécie de concha originária das Bahamas para anunciar a chegada. "Estamos muito emocionados", confessou Cláudia ao ver os amigos que, após uma parada para matar a saudade, fizeram a escolta até o ponto final.
Nesse pequeno e derradeiro trajeto, com o céu azul e a vela maior erguida, as aventuras pelos cinco continentes foram contadas com orgulho por todos da família. Experiências com outras culturas, novos amigos conquistados em lugares inimagináveis e praias paradisíacas são só alguns exemplos do que os paranaenses passaram nas 35 mil milhas percorridas (cerca de 56 mil quilômetros).
Entre tantas histórias, algumas curiosidades, como o fato de que eles mergulhavam por, no máximo, 15 minutos, independentemente de onde estivessem, para evitar ataques de tubarões brancos o comandante Ricardo explicou que esse é o tempo que o animal leva para sentir o cheiro. Já as outras espécies de tubarão só incomodavam porque eram "preguiçosas" e ficavam esperando para abocanhar os peixes conseguidos quando a família pescava.
Quase em Paranaguá, Cláudia que tem cinco diários repletos das histórias vividas e que, em breve, transformará a expedição em um livro soltou uma frase que resumiu a viagem: "Quando vi isto (a Baía de Paranaguá) pela última vez, duvidei que iríamos ver de novo". Isso porque, segundo ela, muitos velejadores acabam gostando tanto dos lugares visitados que não retornam.
Os Portela, porém, voltaram. E mais unidos do que quando partiram, como pôde ser percebido quando decidiram recolher a vela pela última vez. Todos tiveram de participar da atividade, demonstrando claramente que a união da família e o respeito à natureza foram as coisas mais importantes de toda esta trajetória. "Você não pode brigar com a natureza porque sempre vai perder. Não fomos nós que conseguimos chegar. Foi o mar que nos deixou passar", resumiu a futura escritora da família, já perto do destino final e dos aplausos e beijos de todos os amigos queridos.
























