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Afogamentos

Guarda-vidas terão mais trabalho no Carnaval

Previsão dos Bombeiros é de que 50 salvamentos por dia sejam feitos nas praias do Paraná durante o feriado da semana que vem

  • PorBruna Maestri Walter e Fernanda Leitóles
  • 10/02/2010 21:12
Perfil da mairoia dos banhistas que vai às praias do Paraná  no Carnaval preocupa bombeiros: jovens, que se alcoolizam e subestimam os riscos do mar | Hedeson Alves / Gazeta do Povo
Perfil da mairoia dos banhistas que vai às praias do Paraná no Carnaval preocupa bombeiros: jovens, que se alcoolizam e subestimam os riscos do mar| Foto: Hedeson Alves / Gazeta do Povo

Perfil das vítimas

No ano passado, o major Paulo Henrique de Souza concluiu monografia de pós-graduação na UFPR em que levantou o perfil dos banhistas sorridos em Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba. Abaixo, o resultado:

> 52% dos casos envolvem jovens 10 a 19 anos.

> 75% dos incidentes foram com o tempo ensolarado.

> 23,6% dos incidentes ocorreram a uma distância de até 20 metros do posto de guarda-vida.

> 47,01% dos incidentes aconteceram em Pontal do Paraná.

> 49,8% das vítimas estavam acompanhadas de familiares e 28,3% estavam com os pais.

> 48,2% das vítimas declararam não saber nadar.

> 36,95% das pessoas que se envolveram em um incidente ficaram ou pretendiam ficar durante um a dois dias.

Atenção especial com as crianças

O afogamento é a segunda causa de morte por acidentes entre crianças de 1 a 14 anos no Brasil, atrás apenas de acidentes de trânsito, segundo a ONG Criança Segura. Em 2005, último ano do levantamento feio pelo Ministério da Saúde, foram 1.496 mortes de crianças até 14 anos por afogamento – no mar, rios, piscinas e também em casa, como com baldes.

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Matinhos e Curitiba - Homens de 10 a 19 anos, que se arriscam no mar, não sabem nadar e passam de um a dois dias no Litoral são os que mais se envolvem em incidentes por afogamento. Com a proximidade do Carnaval – que junto com o ano-novo é a data mais preocupante para os guarda-vidas – e a ingestão de bebida alcoólica, a preocupação do Corpo de Bombeiros aumenta. A previsão é de que no período de folia aproximadamente 50 salvamentos sejam feitos por dia nas praias do Paraná.

Por causa do risco, toda uma estrutura de retaguarda será montada. Os guarda-vidas irão chegar às praias uma hora mais cedo, ficando das 7 às 20 horas. Passado o horário, o plantão continua nos quartéis de Matinhos, Pontal do Paraná e Guaratuba.

O número de ocorrências, porém, poderá aumentar ou diminuir dependendo da quantidade de veranistas e do clima. "Com clima bom e com um feriado, há uma conjunção de fatores que gera uma preocupação maior", diz o major Paulo Henrique de Souza. Nos dias e horários de temperaturas mais elevadas, a probabilidade de ocorrência de um incidente chega a ser até quatro vezes maior do que em períodos de temperaturas mais amenas, diz o major.

A previsão do Instituto Tecnológico Simepar indica que o sol aparece no Litoral no feriado de Carnaval, com temperatura chegando aos 32°C, mas com chuvas à tarde. Na próxima segunda-feira, uma frente fria pode chegar ao Litoral e trazer chuva forte.

Os números de temporadas passadas mostram a relação do clima com as ocorrências. Em 2008, os 228 salvamentos e resgates feitos durante o Carnaval, entre a sexta-feira e a quarta-feira de Cinzas, representaram 29% do total da temporada, que foi de 19 de dezembro de 2007 a 17 de fevereiro de 2008. Choveu no Carnaval de 2009 e as 103 ocorrências registradas em seis dias representaram 7,4% do total da temporada, iniciada em 19 de dezembro de 2008 e encerrada em 8 de março de 2009.

Levantamento

No ano passado, o major Souza concluiu monografia no curso de Especialização em Estratégias de Segurança Pública pela UFPR e analisou 1.353 incidentes em Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba. Chegou à conclusão de que a maioria dos incidentes ocorreu em domingos ensolarados e envolvendo vítimas que pretendiam ficar de um a dois dias na praia. Pontal concentrou cerca de metade dos incidentes.

Jovens de 10 a 19 anos foram responsáveis por 52% dos casos. A falta de percepção de risco faz com que os jovens se arrisquem mais. A maioria dos incidentes (23,6%) ocorreu a 20 metros do posto de guarda-vida. "Os adolescentes têm uma falsa sensação de segurança", diz o major.

Em relação à bebida alcóolica, o major afirma que a possibilidade de conseguir se salvar sozinho diminui muito se a pessoa estiver alcoolizada. Quem bebe e entra no mar perde o reflexo e a noção de perigo e corre o risco de ter câimbras e ânsia de vômito. Além disso, principalmente à noite, há risco de pisar em buracos ou ser derrubado por uma onda. "Não é o álcool sozinho que faz acontecer o afogamento, mas ele potencializa o risco", diz.

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