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Balneário Camboriú | Walter Alves/Gazeta do Povo/Arquivo
Balneário Camboriú| Foto: Walter Alves/Gazeta do Povo/Arquivo

Apesar do cenário de instabilidade financeira, nem todos os brasileiros devem abrir mão daquela “esticadinha” de fim de ano no Litoral. E os números dão corpo à tese: Santa Catarina, por exemplo, espera receber 20% a mais de turistas nesta temporada do que no mesmo período do ano passado, conforme estimativa da Santa Catarina Turismo S/A (Santur), órgão oficial de turismo catarinense. E se por um lado as verbas mais curtas exigem mais controle, por outro, viagens mais internas e hospedagens colaborativas surgem como alternativas para manter na agenda aquele descanso merecido.

No Brasil desde 2012, a plataforma de aluguel Airbnb deve entrar como uma carta na manga dos viajantes nesta temporada. Valdir Rubens Walendowsky, presidente da Santur, diz não ter dúvidas de que o serviço – uma espécie de rede social que reúne casas e apartamentos para locação temporária, muitas vezes com um preço mais em conta – “chegou para ficar” e que pode ser um estímulo ao fluxo de visitantes.

“Hoje não se pode desprezar nenhuma dessas plataformas. Elas estão acontecendo. No nosso Litoral tem muita gente que tem uma segunda residência e muitas dessas pessoas alugam seus espaços. E isso facilita de uma forma muito grande porque coloca apartamentos, casas à disposição e que rodam o mundo”, argumenta Walendowsky.

“Caloura” na plataforma, a empresária catarinense Camila Manoela Damazio foi uma das inúmeras pessoas que decidiu abrir as portas de seu apartamento para turistas. Cansada de passar réveillons consecutivos em meio ao agito de Balneário Camboriú, ela optou por alugar o apartamento em uma localização privilegiada da cidade por meio do Airbnb. Ela deixou de lado a possibilidade de contratar uma imobiliária para intermediar a locação por causa das altas taxas cobradas.

“Meus vizinhos usam e indicaram. E optei pelo site. Também pelo público-alvo, que são pessoas que pensam como eu, que irão cuidar do imóvel”, explica a empresária, que pretende deixar o apartamento disponível até, no mínimo, o carnaval. “E se for bem rentável, vou deixar para o ano inteiro”, observa. O apartamento divulgado por Camila comporta até seis hóspedes a um custo aproximado de R$ 650 por dia. Um apartamento na mesma região fichado por uma imobiliária de Balneário Camboriú, também para seis pessoas, tem diárias avaliadas em torno de R$ 1,5 mil. A vantagem desse são mais quartos e banheiros individuais.

Impacto

De acordo com dados do Airbnb, Santa Catarina recebeu 75 mil hóspedes pela plataforma em 2016, o que representa um crescimento de 246% em comparação ano anterior. Foram cerca de 11 mil anúncios neste ano.

Por outro lado, o sindicato que representa as empresas de comércio e serviços imobiliários das regiões de Florianópolis e Tubarão, o Secovi, filiado à Fecomércio de Santa Catarina, argumenta que ainda é muito cedo para afirmar algo sobre a atuação do Airbnb no estado, mas que essa temporada deve ser importante para medir o avanço da plataforma na região.

“Ainda é muito cedo para se afirmar algo sobre isso [expansão do Airbnb]. Esses sites trazem uma nova perspectiva de utilização do aluguel por temporada e acho que quem souber usar bem as ferramentas vão se dar bem”, destaca Fernando Willrich, presidente do Secovi.

Ele avalia ainda que o suposto crescimento da carta de clientes do Airbnb não coloca o programa contra o desempenho do setor imobiliário do Litoral catarinense. “Acho que quem vê o Airbnb como inimigo tem uma visão um pouco encurtada”, comenta o presidente, que diz enxergar os serviços de plataforma colaborativa como “um serviço diferente”.

Muito mais hermanos

Quem for passar férias nas praias de Santa Catarina terá de se acostumar a escutar rotineiramente o espanhol. É que os argentinos devem pesar ainda mais no turismo da região neste ano. Dados divulgados neste domingo (11) pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) mostram um crescimento de 25% no fluxo de “hermanos” que vão transitar pelas praias catarinenses. No ano passado, 1,1 milhão de argentinos estiveram em Santa Catarina, enquanto que neste ano são esperados 1,4 milhão de turistas daquele país. A temporada foi responsável pelo incremento de 7% na arrecadação do estado.

“Realmente estamos com uma previsão ótima. As mudanças na economia argentina vão melhorar a vinda deles para cá. E já temos aí os aeroportos que mostram que aumentou o número de pedidos de voo para Santa Catarina”, pontua Fernando Willrich.

Segundo a Santur, já são 656 pedidos de voo internacionais para a temporada com destino a Florianópolis. Destes, 480 são da Argentina, 157 do Chile, 20 do Paraguai e nove do Uruguai.

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