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Norma Santos Freitas resgatou receitas originais no seu restaurante – entre elas a do barreado. “Comida tem história" | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Norma Santos Freitas resgatou receitas originais no seu restaurante – entre elas a do barreado. “Comida tem história"| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Cardápio

Frutos do mar, carne e frutas fazem parte de boa parte das receitas do Litoral do Paraná:

Barreado

> Criado para dar energia aos foliões e dançarinos de fandango, o barreado é a mais tradicional das receitas paranaenses. É feito com três tipos de carne (especialmente das partes dianteiras do boi), cozidos com toucinho e temperos em uma panela de barro vedada com pirão de água e farinha. O método aumenta a pressão durante o cozimento e ajuda a desmanchar a carne. É servido com banana.

Arroz Lambe-Lambe

> O prato típico da Ilha do Mel é feito com mariscos (com casca) refogados em molho de tomate e temperos, como coentro, alfavaca e salsinha. O arroz é cozido nessa mistura. Por causa da temperatura, os mariscos abrem e fecham, fazendo com que o arroz entre nas conchas. Daí a explicação para o nome do prato: há que se lamber os dedos durante a degustação.

Cambira

> O destaque desta receita fica por conta do modo de preparo. A tainha que serve de base ao prato é salgada e seca ao sol. Depois, o peixe é cozido com temperos e banana.

  • Barreado
  • Bolinho de barreado
  • Bolinho de camarão

Uma parceria entre o Ministério do Turismo e a Associação Brasi­leira de Bares e Restaurantes (Abrasel) vai destinar R$ 297 mil para desenvolver o turismo gastronômico em 65 cidades brasileiras. No Paraná, três destinos foram escolhidos: Curitiba, Foz do Iguaçu e Paranaguá, com ênfase na Ilha do Mel. O dinheiro será aplicado em treinamentos para melhorar a gestão e o atendimento nos restaurantes da região.

Um diagnóstico traçado em Paranaguá mostra que 24% dos turistas entrevistados consideram a gastronomia um produto turístico da cidade e 36% apontam como principal atrativo praias e ilhas. Com base nestes dados, prefeitura e comerciantes pretendem agora reforçar os roteiros ecológicos e históricos com o turismo "ecogastronômico".

Isso, de certa forma, já acontece com o barreado. "Ele expressa a gastronomia e dá identidade ao Paraná. É degustado em sua plenitude: tem memória e gosto", diz o professor de história Carlos Roberto Antunes dos Santos, coordenador do grupo de pesquisa em História e Alimentação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A gastronomia, segundo ele, assume um papel importante na divulgação dos costumes locais, com a valorização da identidade cultural. "Aí, o turismo tem um prato cheio para se desenvolver", afirma o professor. Para manter viva a tradição do barreado, a parnanguara Norma Santos Freitas abriu um restaurante (a Casa do Barreado) e resgatou receitas originais. "Fazemos o barreado da maneira autêntica. Comida tem história e é um resgate da cultura local", afirma.

Mas não é só de barreado que se faz a gastronomia típica do Paraná. "A cozinha paranaense acaba passando despercebida, mas há muitas receitas feitas à base de peixe que compõem o cardápio cotidiano", afirma a professora de turismo da UFPR Maria Henriqueta Gimenes, que escolheu a culinária do Litoral como tema da tese de doutorado. Para ela, é necessário fazer um levantamento das tradições culinárias do Litoral, já que algumas receitas ficam restritas às mesas das famílias da região e muitos pratos acabam no anonimato.

Soluções

A formação de um roteiro gastronômico em Paranaguá e o investimento em divulgação são as apostas de Manuel Alpont, representante da Abrasel no Litoral e chef de cozinha do restaurante e pousada Fim da Trilha, da Ilha do Mel, para alavancar o turismo da região. "Geralmente o turista vem por causa da praia, mas o número de interessados na gastronomia está aumentanto", revela. O professor Antunes dos Santos concorda. "Se o turista não se atrai pelo prato, é porque falta divulgação", afirma. Para ele, aliar a comida regional à valorização da natureza é um dos canais para aumentar a visitação.

Outra ideia é criar novas receitas que se adequem a esta proposta gastronômico-cultural. "A busca por novos sabores e experiências move os consumidores nessa área", afirma Maria Henriqueta. Para ela, a identificação e a valorização das especificidades da cozinha litorânea são imprescindíveis para dinamizar o mercado gastronômico litorâneo. Ela sugere, para isso, fazer até algumas variações dos pratos tradicionais, como bolinhos de barreado feitos com farinha de mandioca.

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